Uma passeata estudantil não autorizada resultou nesta quinta-feira (6) em violentos distúrbios em Santiago do Chile, um dia após a ruptura do diálogo entre os estudantes e o Governo para acabar com um conflito de quase cinco meses.
Pelo menos 28 pessoas foram detidas e seis policiais e dois civis ficaram feridos, segundo dados provisórios fornecidos pela governadora de Santiago, Cecilia Pérez, quando ainda se registravam incidentes.
Além disso, segundo a imprensa local, um jornalista da emissora de televisão privada “Chilevisión” foi detido e um cinegrafista e um repórter ficaram feridos.
Os distúrbios começaram quando os jovens desafiaram a proibição do Governo regional de se concentrar na Praça Itália, no centro da cidade. A medida só permitia a reunião na área da Universidade de Santiago.
Estimulados por seus líderes, os jovens, que reivindicam educação gratuita e de qualidade, se reuniram na Praça Itália para iniciar a 37ª marcha deste conflito, mas rapidamente a Polícia começou a dispersá-los com carros lançadores de água e gás e agentes montados a cavalo, segundo constatou a Agência Efe.
A maioria dos estudantes abandonou o local, mas alguns responderam com pedras e paus, incendiaram barricadas e destruíram cercas e semáforos em diversos pontos da capital.
Os distúrbios forçaram o fechamento do comércio e de algumas estações de metrô, bem como a interdição do trânsito em várias ruas, inclusive na Alameda, principal artéria viária da capital chilena.
Para esta noite, foi convocado um panelaço, uma forma de protesto usada pelos chilenos durante a ditadura do país (1973-1990) para poder se manifestar de casa, sem correr o risco de serem detidos.
Ao longo do dia, também houve distúrbios, embora de menor magnitude, nas cidades de Valparaíso, Concepción, Temuco e Valdivia.