Familiares, representantes do Colégio de Professores do Chile, de partidos políticos e diversos grupos de direitos humanos visitaram hoje o lugar onde três profissionais foram degolados em 1985, durante o regime de Augusto Pinochet.
O crime dos comunistas Santiago Nattino, Manuel Guerrero e José Manuel Parada se transformaram em um caso emblemático das violações dos direitos humanos cometidas no Chile sob a ditadura (1973-1990). Na época, os porta-vozes do governo atribuíram o crime a “um acerto de contas entre marxistas”.
A caravana em memória dos profissionais partiu este domingo da sede do Partido Comunista até o lugar onde foram achados os corpos dos três militantes, perto do terminal aéreo internacional de Santiago.
A ex-presidente Michelle Bachelet inaugurou no dia 29 de março de 2006 o monumento “Um lugar para a memória” em homenagem aos três, que consiste em três carteiras escolares de metal gigantes vazias, ao lado da rota, que lembrará para sempre o crime.
A obra foi feita no lugar em que os cadáveres do publicitário Nattino, o sociólogo Parada e o professor Guerrero foram abandonados em 30 de março de 1985, após serem detidos e degolados por militares.
Parada, que trabalhava no Vicariato da Solidariedade, foi sequestrado no dia 29 de março de 1985 junto com Guerrero na porta do Colégio Latino-americano de Integração, onde estudava uma filha do sociólogo e de que Guerrero era professor. No dia anterior, Nattino tinha sido sequestrado na rua.
Por causa destes crimes, que comoveram os chilenos, o então general diretor da polícia militar e membro da Junta Militar, César Mendoza, renunciou o seu cargo, no dia 2 de agosto de 1985.
Em 1994, após uma longa investigação, o juiz especial Milton Juica ditou 15 sentenças, entre elas cinco prisões perpétuas contra oficiais e suboficiais da polícia.