Os principais chefes militares do Canadá no Afeganistão durante 2006 e 2007 negaram qualquer conhecimento que os prisioneiros afegãos capturados pelas tropas desdobradas no país asiático eram torturados após serem entregues às autoridades de Cabul.
O general Rick Hillier e o tenente-general Michel Gauthier, ambos aposentados, afirmaram perante um comitê parlamentar em Ottawa que nunca leram relatórios sobre abusos a prisioneiros ou suspeitaram que os prisioneiros capturados pelas tropas canadenses eram torturados pelas autoridades afegãs.
Na semana passada, um dos máximos responsáveis diplomáticos do Canadá no Afeganistão durante 2006 e 2007, Richard Colvin, testemunhou que nesses anos Ottawa entregou detidos, em sua maioria inocentes, às autoridades afegãs apesar de saber que iam ser torturados.
Colvin disse que enviou até 17 relatórios aos responsáveis diplomáticos e militares canadenses sobre as suspeitas de torturas, respaldadas pela Cruz Vermelha Internacional e outras instituições humanitárias.
Mas em seu testemunho perante os deputados canadense, Colvin disse que a única resposta que obteve de altos funcionários governamentais foi uma ordem para deixar de escrever relatórios.
Hillier qualificou hoje de “absurdo” o testemunho de Colvin e disse que nunca leu os relatórios do diplomata. O ex-militar também negou a afirmação de Colvin que a maioria dos detidos pelos soldados canadenses fossem civis.
Os partidos da oposição querem que o Governo canadense forme uma comissão pública de investigação que indague as alegações de Colvin, mas o primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, afirmou que não é necessário.
Anistia Internacional também solicitou ontem uma comissão pública de investigação e lembrou que, de acordo com a Convenção de Genebra, o Canadá tem a obrigação de não entregar prisioneiros se suspeita que serão torturados.