“Ficaria surpreso se agissem este ano”, afirma Gates, em declarações publicadas hoje pelo jornal “Financial Times”.
Segundo o chefe do Pentágono, os Estados Unidos e Israel ainda têm tempo para convencer o Irã a abandonar qualquer tentativa com esse objetivo militar.
Gates não espera também que Teerã “cruze linha vermelha” este ano, em alusão à fabricação iraniana da arma atômica.
“Acho que temos mais tempo do que isso. Quanto? Não sei. Talvez um ano, dois, três anos”, afirma.
Israel reacendeu no ano passado o fantasma da guerra ao realizar grandes manobras militares nas quais alguns especialistas viram como um teste para um eventual ataque contra o Irã.
Essa ameaça fez com que o chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, o almirante Mike Mullen, tomou a rara iniciativa de advertir Israel em público contra essa tentação.
Em sua entrevista ao jornal britânico, Gates pede, por outro lado, à Europa para fornecer mais recursos para fortalecer as Forças Armadas afegãs e enviar especialistas civis em áreas como agricultura, saúde e água potável, além de instrutores para a Polícia desse país asiático.
“Interessa-nos fornecer instrutores para a Polícia nacional afegã, e isso é algo em que os europeus têm realmente a capacidade técnica necessária”, explica o secretário americano.
Gates reconhece que suas chamadas aos dirigentes europeus para que convençam seus cidadãos de que o êxito no Afeganistão é crucial para sua própria segurança não deram o resultado esperado.
“Não vi os esforços que esperava por parte dos Governos europeus ao persuadir os cidadãos de que os ataques (terroristas) como os de Madri e Londres se originaram na zona fronteiriça entre Paquistão e Afeganistão”, afirma o chefe do Pentágono.
“Esse problema é uma grande ameaça tanto para os europeus quanto para nós”, afirma Gates, que reclama de não ter visto “o mesmo esforço” para convencer o público na Europa continental quanto no Reino Unido.