SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS)
Ali Larijani, chefe do Conselho de Segurança Nacional do Irã, rebateu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e advertiu o norte-americano a ter “cuidado para não ser eliminado”.
Larijani afirmou que o povo iraniano “não teme as ameaças vazias” dos EUA, e ressaltou que Trump é quem deve ficar atento. “Forças maiores do que você fracassaram em eliminar a nação iraniana. Portanto, tome cuidado para que o eliminado não seja você mesmo”, escreveu Ali em postagem no X.
Fala de Larijani foi em resposta à ameaça de Trump, que prometeu atacar o Irã com ainda mais força caso o bloqueio ao fluxo de petróleo no Golfo se mantenha. Ontem, Trump afirmou que, se a República Islâmica não parar com o bloqueio ao Estreito de Hormuz, por onde passa 20% do petróleo consumido no mundo, as consequências “serão graves” ao regime.
Essa não foi a primeira vez que Larijani ameaçou Trump. Em um recente pronunciamento à TV estatal iraniana, ele afirmou que Teerã não vai se render e destacou que Trump “deve pagar um preço” pela guerra.
Ali Larijani se tornou uma das voz mais influentes no Irã desde a morte do aiatolá Ali Khamenei. Ele, inclusive, foi o alvo principal de um ataque perpetrado por Israel na semana passada, mas conseguiu sobreviver.
LÍDERES DO IRÃ REAGEM A AMEAÇAS DOS EUA
Além de Larijani, outras lideranças do Irã também ignoraram as advertências dos EUA sobre o bloqueio ao Estreito de Hormuz. O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, afirmou hoje que “nenhum litro de petróleo” do Golfo será exportado enquanto prosseguirem os ataques de EUA e Israel ao país.
Abbas disse ainda que o Irã “está preparado” para manter a guerra. “Estamos preparados para continuar os ataques com mísseis pelo tempo que for necessário e sempre que for necessário”, falou ao canal americano PBS News.
Bloqueio ao Estreito de Hormuz tem provocado abalos na economia mundial. Desde o início da guerra, o Irã tem barrado o fluxo na região, o que levou Trump a ameaçar se apossar do controle da rota marítima importantíssima para o mercado energético mundial.
POR QUE HORMUZ VIROU FOCO
O estreito de Hormuz é uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo e tem sido citado por Trump como ponto sensível do conflito. O presidente dos EUA condicionou a escalada militar a qualquer tentativa iraniana de bloquear o trânsito na região.
A tensão em torno da passagem já mexeu com os preços do petróleo nos últimos dias. Após Trump afirmar que a guerra no Irã está “praticamente encerrada”, a cotação do combustível caiu.
Trump afirmou que o conflito avançou mais rápido do que o previsto e que o Irã não teria mais marinha, comunicações ou força aérea. “Olhando bem, não lhes resta nada. Não resta nada em sentido militar”, declarou em entrevista à CBS.
Os ataques conjuntos das forças dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã começaram no dia 28 de fevereiro. Desde então, Trump tem feito avaliações frequentes sobre os danos de combate causados ao país.
O governo americano avalia reduzir as sanções contra a Rússia para tentar frear a alta global nos preços de energia. Segundo a agência de notícias Reuters, o governo pode permitir que nações como a Índia comprem petróleo russo sem sofrer penalidades dos EUA.
A nomeação de um novo líder supremo no Irã após a morte de Ali Khamenei, em 28 de fevereiro, aumentou as tensões no Oriente Médio. Ontem, o país anunciou Mojtaba Khamenei para suceder o pai, Ali, em um gesto visto como de desafio aos EUA e Israel e de manutenção da posição linha-dura do regime iraniano.
Desdobramentos ampliam temores sobre o impacto na economia global. Diante da perspectiva de que os preços do petróleo permaneçam elevados por um longo período sem o arrefecimento da guerra, surgem as preocupações econômicas a respeito do conflito. Os principais riscos envolvem uma onda inflacionária e a desaceleração de crescimento dos países.
Presidente dos EUA minimiza impacto da cotação do petróleo. Ontem, o republicano afirmou que a disparada de preço dos barris é insignificante diante da importância de “eliminar a ameaça nuclear do Irã”. Ele avalia que as cotações cairão rapidamente quando terminar a destruição do modelo iraniano. “É um preço muito pequeno a pagar pela segurança e pela paz dos Estados Unidos e do mundo”, disse.