Menu
Mundo

Chefe de DH da ONU segue preocupado com torturas de presos na Venezuela

Alto comissário de Direitos Humanos, Volker Türk, diz que denúncias persistem mesmo após lei de anistia e libertação parcial de detidos

Redação Jornal de Brasília

16/03/2026 14h11

Foto: MUNIR UZ ZAMAN/AFP

Foto: MUNIR UZ ZAMAN/AFP

As torturas a presos na Venezuela continuaram após os Estados Unidos derrubarem Nicolás Maduro em janeiro, apesar da lei de anistia aprovada no país, afirmou, nesta segunda-feira (9), o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk.

Após a captura de Maduro em uma incursão militar em 3 de janeiro, o governo interino da presidente encarregada Delcy Rodríguez anunciou um processo de libertação de detidos.

Segundo a ONG Foro Penal, 508 pessoas, entre elas militares e estrangeiros, continuam privadas de liberdade por motivos políticos na Venezuela.

Türk advertiu que “persistem problemas estruturais e sistêmicos em matéria de direitos humanos”.

“Meu escritório recebeu informações sobre a persistência de torturas e maus-tratos contra detidos, inclusive nos centros de Rodeo 1 e Fuerte Guaicaipuro, o que é motivo de profunda preocupação”, declarou Volker Türk diante do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.

Isso é motivo “de profunda preocupação”, acrescentou, ao pedir às autoridades que “libertem imediatamente e sem condições todas as pessoas detidas arbitrariamente”.

Sob pressão de Washington, Delcy Rodríguez impulsionou em 19 de fevereiro uma lei de anistia que, segundo várias ONGs, é insuficiente e aplicada de forma discricionária.

Na semana passada, o governo afirmou ter libertado 7.365 pessoas.

O encarregado dos direitos humanos da ONU afirma, porém, que seu escritório confirmou a libertação de cerca de 950 pessoas detidas arbitrariamente, algumas delas sob condições rigorosas.

Ele acrescentou que cerca de 60 presos mantidos em regime de incomunicabilidade puderam receber visitas e falar com seus familiares.

Türk reconheceu que Caracas “se propôs a corrigir alguns erros do passado”, mas pediu “mais transparência”, a divulgação da lista oficial de pessoas libertadas e acesso sem restrições a vários centros de detenção.

Ele lamentou que, até o momento, tenha sido negado o acesso ao Escritório do Alto Comissário.

“Compartilho o alívio das pessoas libertadas e de seus familiares, mas sua detenção era inadmissível. Espero que essa prática cesse definitivamente e que as autoridades adotem medidas para garantir a liberdade de opinião”, afirmou.

Após a queda de Maduro, as autoridades venezuelanas decretaram estado de emergência que permite, entre outras medidas, deter qualquer pessoa que apoie a incursão americana.

“As forças de segurança e grupos armados civis teriam aproveitado esse estado de emergência para realizar ações intrusivas, contribuindo para instaurar um clima de medo entre a população”, lamentou Türk, que instou Caracas “a reavaliar esse decreto para verificar sua necessidade e proporcionalidade”.

Türk também pediu a revogação da lei “sobre o controle das ONGs”, porque “continua dificultando a capacidade da sociedade civil de trabalhar com total segurança e liberdade”.

AFP

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado