O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, chegou à Somalilândia nesta terça-feira (6) para a primeira visita de alto nível desde que Israel reconheceu oficialmente essa região separatista no Chifre da África, anunciou a Presidência do território.
Israel reconheceu oficialmente a Somalilândia em 26 de dezembro, tornando-se o primeiro país a aceitar o território como um Estado independente que se separou da Somália em 1991.
Segundo um comunicado da diplomacia israelense, o ministro realizou reuniões no palácio presidencial com o presidente da Somalilândia, Abdirahman Mohamed Abdulahi, apelidado de “Irro”, assim como com autoridades de alto escalão do governo e militares.
“Ao contrário da ‘Palestina’, a Somalilândia não é um Estado virtual. É um Estado funcional. A Somalilândia é — e tem sido — uma democracia estável há quase 35 anos. É pró-Ocidente e amiga de Israel”, afirmou Saar.
“Reconhecer a República da Somalilândia é moralmente correto e foi isso que fizemos”, acrescentou em um discurso transmitido à AFP.
O Ministério das Relações Exteriores da Somália condenou uma “incursão não autorizada do ministro das Relações Exteriores de Israel em Hargeisa, parte integrante e indivisível do território soberano da República Federal da Somália”, assim como uma “interferência inaceitável nos assuntos internos” do país.
O presidente da Somália, Hassan Sheikh Mohamud, afirmou que a Somalilândia aceitou três condições impostas por Israel para o seu reconhecimento: o reassentamento de palestinos em seu território, o estabelecimento de uma base militar no Golfo de Aden e a adesão aos Acordos de Abraão para normalizar as relações com Israel.
As duas primeiras condições foram rejeitadas como “falsas” na última quinta-feira pelo Ministério das Relações Exteriores da Somalilândia, que reiterou que o acordo entre os dois países é “puramente diplomático”.
“O reconhecimento do país e a chegada de Israel não causarão violência, não trarão conflitos, nem prejudicarão ninguém”, declarou o ministro da Presidência da Somalilândia, Khadir Hussein Abdi, no final de dezembro.
“Isso não prejudicará a Somália, os árabes, nem ninguém”, assegurou, acrescentando que a cooperação com Israel ocorrerá “nas áreas de melhoria da nossa economia, produção agrícola, na qual Israel se destaca, e da água”.
AFP