O presidente da Venezuela, stomach Hugo Chávez, garantiu ao colega do Uruguai, Tabaré Vázquez, que fornecerá todo o petróleo e gás necessário durante os próximos 100 anos, “custe o que custar”.
Os presidentes assistiram hoje à assinatura de um Tratado de Segurança Energética entre o ministro venezuelano de Energia e presidente de Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA), Rafael Ramírez, e o titular da empresa estatal uruguaia de combustíveis (Ancap), Daniel Martínez.
Em discurso depois, Chávez afirmou que ambas as empresas “já realizam trabalhos conjuntos” na Faixa do Orinoco (sudeste da Venezuela) para a extração do petróleo venezuelano que é enviado a Montevidéu para refino e venda.
O Governo venezuelano auxiliará na ampliação da refinaria de La Teja, a única do Uruguai, que aumentará a capacidade de refino de 50 mil para 60 mil barris diários de petróleo.
“O aumento é modesto, mas importante”, afirmou Chávez. Ele insistiu para que se pense na construção de uma refinaria que produza um volume maior, “como forma de impulsionar o desenvolvimento de ambos os países e povos”.
“Pela graça de Deus nós temos um mar de petróleo e reservas de gás na Venezuela para (os próximos) 150 anos, e queremos compartilhá-los com nossos irmãos da América Latina”, afirmou o presidente venezuelano.
O Uruguai importa todo o petróleo que consome, a maioria da Venezuela. O país está iniciando os estudos de prospecção em seu mar territorial para localizar hidrocarbonetos.
Segundo Chávez, o acordo não é um “presente”, mas um “esforço conjunto de dois países para se apoiarem mutuamente”. Ele também destacou a colaboração do Uruguai em relação aos estudos de genética do gado, software e gestão elétrica, entre outros.
Os presidentes assistiram à assinatura dos acordos para a exploração de hidrocarbonetos pesados e a comercialização conjunta do coque do petróleo. O convênio também envolveu a compra de 15% da estatal Álcoois do Uruguai pela Venezuela, que se somou a uma aquisição anterior de 10% dos papéis.
Além disso, foi assinada a criação de uma companhia mista para a fabricação e exportação de insulina na região.
Durante sua visita, o presidente venezuelano reivindicou “uma definição imediata” sobre a entrada de seu país no Mercosul.
“Não há razões que justifiquem o atraso no processo de adesão”, afirmou. Chávez declarou que a situação já está se tornando incômoda para o seu país.
“A Venezuela precisa do Mercosul e o bloco precisa crescer e se transformar”, disse Chávez. Ele também afirmou que o Governo dos Estados Unidos é contra a entrada do país no bloco sul-americano.
“O império pressiona para que não nos deixem entrar, por isso é que cumprimentamos a atitude valente dos Governos do bloco, que nos abriram as portas. Agora só esperamos que os Parlamentos façam o mesmo”, acrescentou.
No mês passado, Chávez deu o final do ano como prazo limite para a aprovação da entrada do país no bloco e afirmou que a Venezuela já cumpriu todos os requisitos necessários.
A adesão da Venezuela como membro formal do Mercosul já foi aprovada pelos quatro Governos (além de Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai), mas ainda espera a aprovação dos parlamentares brasileiros.
O presidente uruguaio – que atualmente exerce também a Presidência do Mercosul – afirmou que fará “tudo possível” para que a Venezuela seja incorporada em breve ao bloco.
“Somos vigorosos defensores da entrada da Venezuela no Mercosul e quanto antes conseguirmos será melhor”, afirmou Vázquez. O presidente uruguaio também destacou a “enorme generosidade” do Governo de Chávez “ao pôr à disposição do Uruguai um poço de petróleo”.