Os presidentes da Venezuela, mind Hugo Chávez, e da Argentina, Néstor Kirchner, assinarão acordos energéticos com seu colega Evo Morales durante suas visitas à Bolívia entre amanhã e sexta-feira, dia em que os três se reunirão na cidade de Tarija.
Morales confirmou que definirá amanhã em La Paz um acordo com Chávez para criar a Petroandina com contribuições das companhias estatais Petróleos de Venezuela (PDVSA) e Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB).
A criação da companhia foi anunciada várias vezes desde o ano passado, e será concretizada depois de o Congresso boliviano aprovar uma contribuição simbólica de US$ 62.000 de capital, que, entretanto, garantirá à YPFB a maioria na sociedade.
Morales disse hoje a jornalistas às portas do palácio presidencial que a nova companhia procurará petróleo no norte do departamento de La Paz, uma região pouco explorada, mas onde o Governo verificou a existência de combustíveis saindo à superfície.
Chávez chegará a La Paz no fim da tarde da quinta-feira. No dia seguinte de manhã, viajará com Morales a Tarija, onde participará da assinatura de acordos energéticos do anfitrião com Kirchner.
Segundo Morales, ele e Chávez viajarão na tarde da sexta-feira a Entre Ríos, povoado na região cocaleira do Chapare, reduto sindical e político do líder boliviano, para anunciar a criação de uma empresa termelétrica.
Em Tarija, Morales assinará com Kirchner um acordo para construir na região do Chaco boliviana uma unidade que separe os líquidos do gás natural exportado ao mercado argentino.
Perguntando sobre um suposto mal-estar público em Tarija, onde a maioria se opõe a Morales, e sobre possíveis problemas durante a reunião dos líderes, o presidente disse que “o Governo nacional não tem que pedir licença a ninguém”.
Após a reunião em um hotel da cidade, Kirchner voltará à Argentina, e não participará dos atos programados no Chapare, como pretendia o Governo boliviano.
Bolívia e Argentina já têm convênios de integração energética para o fornecimento de 27,7 milhões de metros cúbicos diários de gás boliviano ao mercado argentino a partir de 2010, quase cinco vezes o volume atualmente enviado.
Mas para isso é necessário construir o Gasoduto do Nordeste Argentino (GNA), que está em processo de licitação.
As visitas de Chávez e Kirchner podem permitir a Morales concretizar projetos que estão atrasados há meses, e ocorrem em um momento em que a produção de gás da Bolívia está no limite de sua demanda interna e externa.
O ex-ministro de Hidrocarbonetos Andrés Soliz, que promoveu a nacionalização petrolífera junto a Morales em 2006, chamou a atenção no fim de semana passado para o fato de, até agora, não estar funcionando nenhuma das três empresas filiais da Petroandina estipuladas pela YPFB e a PDVSA no ano passado.
Também não está funcionando uma unidade petrolífera de separação de componentes ricos do gás exportado à Argentina que as duas empresas anunciaram que criariam na região de Tarija, mas que, aparentemente, agora será substituída pelo projeto a ser anunciado por Morales e Kirchner.
A relação com a Venezuela foi questionada pelo ex-ministro de Hidrocarbonetos Mauricio Medinaceli, que disse hoje à agência Efe que “o gás venezuelano será um concorrente do boliviano” nos mercados brasileiro e argentino, pois, segundo sua opinião, custará menos.
De fato, Chávez prometeu esta semana a Kirchner enviar gás por via marítima para que o produto seja “regasificado” em uma unidade cuja construção será feita em dois anos e requererá um investimento de US$ 400 milhões.
“Se, em um projeto de integração regional, a Bolívia não puder mais vender seu gás natural à Argentina e ao Brasil, que outra possibilidade de venda lhe resta?”, questionou Medinaceli.