A declaração do governante foi feita numa entrevista publicada hoje pelo jornal espanhol “El País”, que aproveitou a visita que Chávez fez sexta-feira a Madri para entrevistá-lo.
Perguntado se a Venezuela estaria numa “corrida armamentista”, o presidente venezuelano respondeu que “cada país tem o direito, como a Espanha o tem, de ter uma Marinha para defender seus mares, de ter uma Aeronáutica para defender e garantir a soberania do território nacional, de ter um Exército”.
Chávez também disse que, na reunião que teve ontem com o chefe do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, manifestou o interesse da Venezuela em comprar alguns aviões de transporte CASA, os mesmos que o ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush impediu a Espanha de vender às Forças Armadas venezuelanas pouco tempo atrás.
Consultado sobre o conceito que seu Governo aplica às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o governante afirmou que, assim como “Brasil, Chile, Argentina, Peru e Equador”, não enxerga os guerrilheiros como terroristas.
“No continente americano, só EUA e Colômbia” têm essa visão, frisou.
Segundo Chávez, “as Farc não são terroristas, são uma força rebelde. E é preciso reconhecê-la como tal para conseguir a paz, porque não se pode dialogar com terroristas”.
Sobre Manuel Rosales, fundador do partido Um Novo Tempo e que saiu exilado da Venezuela, Chávez disse que este líder opositor “não está autoexilado”, mas “foragido”.
“Ele tem casa na Flórida (EUA), não sei quantos milhões de dólares, propriedades e contas. Em vez de ir ao tribunal explicar onde conseguiu tudo isso, optou por fugir do país”, acrescentou o presidente venezuelano.