O presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse hoje que seu Governo pretende tomar o controle das empresas no exterior que sejam de propriedade dos donos dos sete pequenos bancos fechados na semana passada por irregularidades em sua gestão.
O Governo socialista iniciou no último dia 2 de dezembro a “recuperação” de algumas dessas empresas, que passam de cinquenta e pertencem aos setores de alimentos, seguros e distribuição, lembrou o líder.
“Teremos que ir a empresas no exterior, por contas (bancárias) que estão no exterior”, disse Chávez, em ato oficial transmitido em cadeia nacional obrigatória de rádio e televisão.
O caso dos bancos suscitou uma série de denúncias sobre uma suposta trama de corrupção, amparadas no fato de que os principais acionistas das instituições afetadas pertenceriam a círculos governistas, dos quais se valeram para juntar em menos de uma década suas imensas fortunas.
Chávez reiterou hoje que “o peso da lei cairá onde tenha que cair”, em resposta às denúncias dos administradores dos bancos fechados, que dizem que só puderam realizar as fraudes com a cumplicidade de funcionários públicos.
O líder também sustentou que seu Governo procura “aumentar os mecanismos de regulação e de controle” do sistema financeiro para que não se repitam situações como a que afetou os sete pequenos bancos, que representavam menos de 7% dos depósitos do sistema.
Nesse sentido, expressou que está de acordo que se eleve a contribuição dos bancos ao Fundo de Garantias de Depósitos (Fogade), atualmente em 0,5%, para 1,5%, em uma das reformas à Lei de Bancos discutida atualmente o Parlamento venezuelano.
O aumento da contribuição permitirá subir os depósitos garantidos pelo Estado dos atuais 10 mil bolívares (US$ 4.651) a 30 mil bolívares (US$ 13.953), explicou o governante.
Durante o ato oficial, o líder seguiu com a entrega dos depósitos garantidos pelo Estado aos clientes dos sete bancos fechados, um benefício que vai atingir mais de 85% dos afetados.