Em seu discurso de abertura da quarta Cúpula de Chefes de Estado e de Governo realizada hoje em Cienfuegos, seek no centro-sul de Cuba, Chávez falou sobre a proposta pela qual a forma de pagamento da parte financiada da fatura petrolífera seja igual à adotada por Venezuela e Cuba em sua colaboração energética.
Ele falou sobre a “ampliação do esquema de troca” da Petrocaribe – mecanismo formado por 16 países caribenhos e que passará a contar com Honduras no fim do encontro – para que seja possível retribuir a parte financiada da fatura petrolífera, cerca de 40%, mediante “compensação com o abastecimento de bens e serviços”.
O presidente venezuelano explicou que a idéia surgiu na quinta-feira à noite durante uma reunião com o líder cubano, Fidel Castro, da qual também participou o presidente interino de Cuba, Raúl Castro, que hoje atuou como anfitrião da Cúpula.
“É uma dívida acumulada que ultrapassa US$ 1 bilhão, há um potencial enorme para criar”, acrescentou.
Além disso, considerou que “em vez de ser um peso, o débito acumulado vai se transformar em outro mecanismo de cooperação para lutar contra as desigualdades”.
Chávez afirmou que a dívida da parte financiada chega este ano a US$ 1,166 bilhão e previu que em 2010 ela será de US$ 4,566 bilhões.
De acordo com a fórmula de financiamento da Petrocaribe, 40% da fatura recebem financiamento de 25 anos e juro de 1% com até dois anos gratuitos.
“Pode estar nascendo um espaço econômico que respeita os acordos já existentes entre países, sobreposto aos que já existem, mas com outro perfil, com outros valores (…), usando como semente, como motor de arranque, a conta que vai se acumulando”, disse.
Chávez afirmou que a “Petrocaribe passa de um simples mecanismo de comércio, é um esquema integrador e libertador” com a finalidade de resolver as diferenças energéticas mediante “trocas favoráveis, eqüitativas e justas”.
O venezuelano aproveitou para sugerir novos objetivos e ampliar o mecanismo de cooperação e integração da Petrocaribe, criada em junho de 2005.
Por meio da aliança, a Venezuela fornece diariamente cerca de 53 mil barris de petróleo e derivados diários, número que chega a 145 mil barris se forem incluídos os 92 mil de Cuba.
Nesse sentido, o presidente venezuelano falou sobre a criação de um projeto de substituição, destinado principalmente ao planejamento e ao acompanhamento dos programas, e à necessidade de consolidar o secretariado da Petrocaribe.
Ele propôs ainda que o esquema de cooperação seja estendido às energias renováveis, com base em estudos realizados pela secretaria permanente, para que possam ser desenvolvidos projetos de energia solar, geotérmica e eólica nos países-membros.
“Analisamos as pendências da Petrocaribe e estamos muito otimistas com o avanço em tão pouco tempo”, afirmou em avaliação feita antes da reunião.
Participam da reunião onze países, com delegações lideradas por presidentes, primeiros-ministros e altos funcionário.
Chávez abriu com Raúl Castro a quarta Cúpula da Petrocaribe, que terminará hoje com a inauguração da refinaria de Cienfuegos, principal projeto energético empreendido por Cuba e Venezuela com investimento que supera o US$ 1,4 bilhão.