O presidente da Venezuela, stuff Hugo Chávez, confirmou hoje a existência de um comunicado das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) no qual a guerrilha anuncia a libertação, em pouco tempo, de três reféns.
O governante acrescentou que aguarda a concretização dessa promessa como um “presente do Natal” e que, num encontro nesta terça-feira, comentou o assunto e a possível ajuda do Brasil na soltura do grupo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em declarações à imprensa após o encerramento da cúpula do Mercosul, em Montevidéu, Chávez disse que estava “avisado” de que as Farc “poderiam anunciar a libertação de um grupo de pessoas” e que, na verdade, já havia recebido um comunicado emitido pelo grupo.
“Parece-me um bom presente de Natal, sobretudo para os parentes destas pessoas”, disse o governante venezuelano antes de discursar num ato organizado por uma central operária uruguaia.
Segundo a agência cubana “Prensa Latina”, as Farc anunciaram que, em breve, entregarão a Chávez, “ou a quem ele decidir”, três de seus reféns: Clara Rojas, companheira de chapa da ex-candidata à Presidência Ingrid Betancourt, o filho que a aspirante a vice teve em cativeiro e a ex-legisladora Consuelo González de Perdomo.
Nesta terça-feira, Chávez também disse que precisa pensar em como concretizar a entrega dos reféns. “Agora tenho que pensar. Já tenho várias alternativas, porque, como disse, recebi a resposta de (Manuel) Marulanda (o líder das Farc) adiantando-me que ele, num gesto de boa vontade e de desagravo, ia libertar ou a ordenar a libertação de alguns reféns”, acrescentou Chávez.
Apesar de ter dito que já tem “alternativas”, o presidente venezuelano esclareceu que nenhuma delas “é fácil”, pois os seqüestrados estão no “coração da selva, da montanha”, e ele não pode “ir até lá recebê-los pessoalmente, como gostaria”.
“Agora é preciso avaliar espaços, tempos e riscos, para assegurarmos, sobretudo, a libertação bem-sucedida e feliz destas pessoas”.
Para isso, o presidente disse que será preciso “organizar uma operação” e que é “possível” que o Governo da França ajude nestes trabalhos.
Chávez reiterou que o anúncio das Farc de libertar três de seus seqüestrados é “uma manifestação de boa vontade”, apesar da “frustração pela brutal decisão do presidente Uribe” de pôr fim a sua missão como mediador.
O presidente venezuelano disse estar “certo” de que “Uribe está sendo pressionado pelos Estados Unidos” e “se transformou numa marionete” do Governo de George W. Bush.
Chávez afirmou que “nunca mais” falará com Uribe, a quem se referiu como um “grande farsante”. Mas declarou que espera que o Governo colombiano colabore para a libertação dos três seqüestrados.
Atualizada às 22h39