“Tomei essa decisão por uma série de razões, e agora a transição já começou”, afirmou Chávez, que informou que o ministro de Indústrias Básica e Mineração, Rodolfo Sanz, foi enviado à sede da Sidor “para conversar com os empresários” do grupo ítalo-argentino.
Esta é a primeira vez que o governante venezuelano se refere publicamente à reestatização da Sidor, que foi anunciada na madrugada da quarta-feira pelo vice-presidente, Ramón Carrizalez.
O consórcio internacional Ternium, presidido por Paolo Rocca, possui atualmente 60% da siderúrgica, enquanto o Estado venezuelano detém 20% e funcionários e ex-funcionários da companhia compartilham os 20% restantes.
A Sidor se situa cerca de 800 quilômetros ao sudeste de Caracas, e o Estado venezuelano recebeu US$ 1,2 bilhão por sua venda, em 1997, dois anos antes da chegada de Chávez ao poder.
A infra-estrutura da empresa é composta por 20 instalações onde se produz aço, laminados a quente e a frio, ferro e encanamentos.
A produção de tudo isso, com “matéria-prima subsidiada, da mesma forma que a eletricidade”, ocorria com “uma exploração impiedosa” dos trabalhadores, que eram “submetidos a um regime semi-escravo”, destacou Carrizales.
Além disso, mesmo com os subsídios, parte da produção era vendida depois à Venezuela “a preços internacionais”.
“É possível que não haja violações à lei, mas o que se fazia era pelo menos antiético e desumano”, o que o Governo da Venezuela “não pode permitir”, ressaltou.