A dirigente governista Lina Ron, que liderou o ataque armado cometido nesta segunda-feira contra a emissora de oposição “Globovisión”, se entregou às autoridades e está “detida”, informou hoje o presidente venezuelano, Hugo Chávez.
“Ela (Ron) se apresentou hoje e está detida. É bom que ela tenha se apresentado”, afirmou o governante venezuelano, em um ato oficial transmitido em rede nacional obrigatória de rádio e televisão.
Segundo Chávez, Ron “violou a lei ao cometer um ato contra-revolucionário” e, portanto, “deve receber o peso da lei”, assim como o grupo armado que “andava com ela”.
O ataque cometido ontem por Ron e militantes de seu grupo União Patriótica Venezuelana (UPV) contra a sede da rede de televisão opositora incluiu o lançamento de duas bombas de gás lacrimogêneo. Um funcionário da emissora teve queimaduras na mão e uma agente da Polícia Metropolitana machucou a cabeça.
Por causa do ataque, pelo menos o quarto da UPV contra a “Globovisión”, um tribunal de Caracas ordenou, a pedido do Ministério Público, a prisão de Lina Ron, informou hoje o órgão judicial.
Em comunicado, a Procuradoria informou que Ron “será apresentada perante o Tribunal 18 de Controle de Caracas” logo após o cumprimento da ordem de prisão.
“Faz tempo que digo à companheira Lina Ron que prejudica a revolução caso se preste a um jogo a favor do inimigo. Eu acho que ela não se dá conta”, afirmou Chávez.
O ato “anárquico” de Ron contra “uma emissora de televisão contra-revolucionária dá armas ao inimigo para que me ataque, o tirano, ainda mais”, afirmou o governante.
Segundo Chávez, seu Governo “revolucionário” não pode permitir atos como o liderado por Ron, porque os mesmos “atentam contra a paz do país”.
Ontem, o diretor e o presidente da “Globovisión”, Alberto Federico Ravell, e Guillermo Zuloaga, respectivamente, responsabilizaram diretamente Chávez pelo novo ataque contra a sede da emissora, ameaçada de fechamento pelo Governo, que a acusa de “terrorismo midiático”.
A “Globovisión” enfrenta pelo menos cinco processos administrativos dentro da Conatel, a entidade reguladora das telecomunicações na Venezuela. Dois deles podem levar à suspensão imediata de sua concessão de transmissão.
Além disso, Zuloaga enfrenta dois processos abertos pela Procuradoria no final de maio que não possuem relação com as atividades da “Globovisión”.
O presidente da emissora se diz vítima de um “terrorismo judicial e de perseguição” por parte do Governo de Chávez, que nega essas acusações e garante que só aplica as leis vigentes no país.