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Chanceleres da UE se comprometem a ter postura unida em relação a Kosovo

Arquivo Geral

08/09/2007 0h00

Os 27 países da União Européia (UE) se comprometeram hoje a manter a mesma postura independentemente da evolução da situação no Kosovo, this e deixaram claro que o futuro da região dos Bálcãs não é uma questão russa nem americana, e sim européia.

Os ministros das Relações Exteriores da UE quiseram reunir-se três meses antes do fim do prazo para uma decisão sobre o estatuto da província sérvia de maioria albano-kosovar, que pode proclamar sua independência de forma unilateral e provocar uma nova crise na região balcânica.

“Não admito que cheguemos ao fim do processo com os americanos firmes em sua posição, os russos firmes e os europeus destacando-se por sua ausência”, declarou o presidente atual do Conselho da UE, o ministro português Luís Amado, após reunião informal entre os chanceleres do bloco em Viana do Castelo (Portugal).

Mais contundente, o ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, apontou: “Queremos que todos compreendam que isto ocorre na Europa, não na Rússia nem nos EUA, e não aceitaremos decisões tomadas fora daqui”.

Em 10 de dezembro, o trio do Grupo de Contato formado por UE, EUA (país que apoiaria uma suposta independência kosovar) e Rússia (aliado da Sérvia e que rejeita tal opção) enviará um relatório ao secretário-geral da ONU sobre os resultados de suas discussões.

A mensagem transmitida pelo chefe da diplomacia da UE, Javier Solana, é a de que “a vontade do bloco é seguir unido hoje, amanhã e depois de amanhã”.

Por sua vez, o comissário europeu para a Ampliação, Olli Rehn, ressaltou, em uma clara mensagem aos sérvios, que 10 de dezembro “é o último prazo” para uma saída à crise por meio de negociações.

Os 27 membros da UE deram apoio unânime ao relatório do embaixador alemão Wolfgang Ischinger, representante da UE no trio do Grupo de Contato, iniciado após o bloqueio das negociações no Conselho de Segurança da ONU.

A reunião de hoje também ofereceu uma chance para se perceber as diferentes opiniões que existem na União Européia a respeito da questão do Kosovo.

Um grupo de países liderado pelo Reino Unido e com uma linha próxima à americana considera inevitável a independência da província, enquanto outro grupo, mais em sintonia com a posição sérvia e russa, defende a continuidade das negociações até que um compromisso seja definido.

O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, David Miliband, não quis ser muito claro sobre qual seria sua atitude diante de uma eventual declaração de independência – “cada coisa a seu tempo”, disse – e limitou-se a considerar o Kosovo como “um teste” para a política européia.

Países como a Espanha, que inicialmente apoiaram o plano de independência tutelada do Kosovo, agora estão em cima do muro.

Por trás da cautela espanhola há o temor de que as reivindicações das minorias separatistas dentro do próprio país ibérico ganhem força, em decorrência de uma secessão dentro de um estado soberano no continente.

O mesmo ocorre com Eslováquia, República Tcheca, Malta e Chipre.

Por sua vez, países próximos ao Kosovo, como Bósnia e Macedônia, temem ser afetados pela previsível desestabilização da região.

“Encontrar uma solução não deve ser um problema para os países vizinhos. É imprescindível que haja conexão entre o que ocorrer no Kosovo e a soberania de nações próximas”, disse a chanceler croata, Kolinda Grabar-Kitarovic, que participou da reunião informal representando o país dos Bálcãs.

O ministro espanhol das Relações Exteriores, Miguel Ángel Moratinos, também insistiu na importância de uma unidade européia sobre a questão. Embora não tenha dado certeza de que essa unidade já exista, disse que ela terá de “ir sendo construída”.

Uma das propostas do dia, e que não obteve êxito entre os membros da UE, foi o pedido do primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi, para que a UE acelere a aproximação da Sérvia para seu ingresso no bloco continental.

O problema no Kosovo continuará sendo alvo principal das reuniões dos chefes da diplomacia européia ao longo dos próximos meses. Um novo encontro acontecerá no mês que vem em Luxemburgo.

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