O ministro de Exteriores sérvio, dosage Vuk Jeremic, and afirmou hoje que está “envergonhado como europeu” devido ao reconhecimento do Kosovo por grande parte dos países da União Européia, approved que, segundo ele, teriam violado os valores do bloco.
“Criaram desolação e chamaram-na de paz”, afirmou Jeremic em um comparecimento perante a Comissão de Política Externa do Parlamento Europeu, na qual defendeu continuar buscando uma “solução negociada” ao status do Kosovo.
Assim como tinha feito pouco antes na sede do Conselho da Europa, Jeremic afirmou que o Governo sérvio não está “respaldando, encorajando nem patrocinando nenhum tipo de violência” e que “nunca o fará”, em alusão à suposta conivência de Belgrado com os recentes ataques a postos na fronteira com o Kosovo.
Ele disse, no entanto, que “é preciso entender que há muita tensão, emoções, muitas pessoas que se sentem abandonadas, traídas, tratadas injustamente”, após a declaração unilateral de independência da até agora província sérvia.
Jeremic tentou convencer os eurodeputados de que o reconhecimento de independência do Kosovo não só viola a legislação internacional “e os valores europeus” mas também representa uma injustiça.
“Quando a Sérvia era dirigida por um tirano, o Kosovo era reconhecido como parte de seu território”, afirmou Jeremic, referindo-se à resolução 1244 aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas na época de Slobodan Milosevic.
“Mas aqueles que não castigaram uma ditadura agora estão castigando uma democracia”, acrescentou.
O ministro insistiu em que a Sérvia “não vai se calar” diante de uma declaração de independência “ilegal” e tomará “todas as medidas diplomáticas e políticas” – mas não violentas – para defender sua postura.
Ele defendeu a reabertura de negociações “de boa fé” para chegar a uma solução amistosa à questão kosovar.
O titular atribuiu o fracasso das conversas realizadas até agora à influência das “grandes potências”, em particular dos Estados Unidos, que, ao anunciarem de antemão que aceitariam uma independência unilateral de Pristina, permitiram que os representantes kosovares se limitassem a “deixar que o tempo se esgotasse”.
Além disso, considerou que a decisão das principais capitais européias de reconhecer a independência é fruto da “enorme pressão” exercida por Washington e criticou duramente o Governo de George W. Bush, cuja gestão trouxe ao mundo “menos segurança e estabilidade”.
Jeremic ressaltou que se sente “decepcionado como europeu” por uma situação que viola “os princípios e valores da UE”, apesar de manter “uma margem de esperança na Europa”.
Ele deu por certo que a atual conjuntura “afetará” o processo de aproximação da Sérvia na UE.
O ministro disse ainda que aqueles que consideram que o Kosovo é um “caso sui generis” que não abre precedentes para outras disputas territoriais “estão errados”.
“Foi aberta a caixa de pandora”, afirmou Jeremic, que comparou a situação no território com a do Iraque e denunciou que a minoria sérvia vive no Kosovo como em um “gueto”.