O Paraguai é o único país do Mercosul cujo Legislativo ainda não aprovou o ingresso da Venezuela no bloco – os de Brasil, Argentina e Uruguai já o fizeram.
“O formato que o Mercosul tem atualmente, de quatro países, com uma hegemonia muito forte de um deles, que é o Brasil, não beneficia os países pequenos”. afirmou Lacognata.
Para o ministro, a presença de “novos países, sejam Venezuela, México, Chile ou Bolívia, ajudará a reformar esse formato” e uma associação de um maior número de nações permitirá negociar alianças.
O Governo paraguaio teve que retirar do Senado a proposta de ratificação da adesão venezuelana ao Mercosul para evitar que fosse rejeitada pela oposição, que controla o Congresso. Após a aprovação brasileira, anunciou que voltará a apresentá-la em março de 2010, após o recesso que começou em 21 de dezembro.
O presidente do Congresso paraguaio, Miguel Carrizosa, disse ontem que a Casa não aprovará a entrada da Venezuela no Mercosul em rejeição às “posturas autoritárias e extremistas” do chefe de Estado venezuelano, Hugo Chávez.
“As posturas autoritárias e extremistas do presidente da Venezuela representam um risco para a consolidação do Mercosul”, disse Carrizosa, do minoritário e opositor Partido Pátria Querida (PPQ).
Para o legislador paraguaio, como todas as decisões do Mercosul são adotadas por consenso, o presidente venezuelano poderia aproveitar esse mecanismo “para conduzir o Mercosul a sua maneira”.
No entanto, o chefe da diplomacia paraguaia disse acreditar “que seria um erro prejulgar ou ter uma atitude de temor diante de determinado país e pressupor que utilizaria o veto, uma figura que usada muito poucas vezes no Mercosul”.