O chanceler da Argentina, mind Jorge Taiana, afirmou hoje que a relação do país com o Brasil passa por um “momento favorável” e reiterou a importância disto para o Mercosul, durante a abertura do seminário “Argentina-Brasil: oportunidades de comércio e investimentos”.
Segundo Taiana, “20% do investimento externo e direto na Argentina é concedido ao Brasil, para uma série de setores muito dinâmicos da economia como o automotivo, transporte, têxtil, calçado, bebidas, alimentos, energia”.
O chanceler também declarou que os setores privados dos dois países têm um “grande potencial de entendimento e desenvolvimento”.
“Sabemos que nossos destinos como países se encontram indissoluvelmente atados ao destino de nossa região. O Mercosul é o principal instrumento para melhorar a qualidade de nossa inserção econômica internacional”, disse Taiana, na presença de empresários dos dois países.
O chanceler acrescentou que os governos estão “trabalhando para fortalecer o Mercosul e dotá-lo de maior força e coerência”. Ele acredita que a integração entre os países não deve terminar com a ampliação dos intercâmbios comerciais, e sim avançar para uma fase de integração produtiva.
Além disso, Taiana reconheceu que há “tarefas pendentes no Mercosul”, como as diferenças entre os países integrantes e os incentivos aos investimentos que cada membro faz e que “distorcem o comércio”. O chanceler afirmou que pretende resolver essas diferenças com a ajuda de empresários dos dois países.
O embaixador do Brasil em Buenos Aires, Mauro Vieira, declarou que o Mercosul é “sem dúvida o eixo de inserção internacional do país e a relação entre Brasil e Argentina é a coluna vertebral deste bloco”.
“Há 16 anos, o comércio entre os países que formam o Mercosul era de US$ 4 bilhões. Hoje é de US$ 30 bilhões, dos quais dois terços correspondem ao comércio entre Brasil e Argentina”, disse.
O subsecretário de Comércio Internacional argentino, Luis María Kreckler, disse que a Argentina passa – pelo quinto ano consecutivo – por “uma grande expansão do Produto Interno Bruto”, após o crescimento de uma taxa anual de quase 9% nos últimos quatro anos.
Além disso, ele afirmou que o país passa pelo período de “expansão econômica mais forte dos últimos 100 anos”.
Segundo Kreckler, a economia brasileira também “está crescendo num ritmo bom”, com 3,7% em 2006 e uma projeção de 4,3% para este ano.
“Estas taxas são ainda mais importantes quando se leva em conta o volume da produção brasileira e o crescimento durante período prolongado”, afirmou o funcionário, que destacou alguns dados do comércio bilateral.
Kreckler declarou que as exportações argentinas para o mercado brasileiro ultrapassaram US$ 8 bilhões em 2006. Já as importações provenientes do Brasil chegaram a quase US$ 12 bilhões.
“Isto significa um crescimento de 28% em nossas vendas em relação a 2006 e 15% no caso das brasileiras”, acrescentou.
No primeiro semestre de 2007, as exportações brasileiras para a Argentina somaram US$ 5,1 bilhões, enquanto as importações dos produtos argentinos chegaram a US$ 2,8 bilhões.