Menu
Mundo

Cerca de 5,8 milhões de crianças refugiadas ficaram fora da escola em 2025, diz Acnur

Acnur alerta que cortes no financiamento humanitário podem ampliar o déficit educacional entre refugiados

Redação Jornal de Brasília

02/10/2026 17h24

Foto: Acnur/Reprodução

Cerca de 5,8 milhões de crianças refugiadas ficaram fora da escola em 2025, informou nesta sexta-feira (2) o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), alertando que os cortes orçamentários nos programas de ajuda podem agravar a situação.

Segundo o Acnur, 44% dos 13,1 milhões de crianças refugiadas em idade escolar não puderam frequentar a escola em 2025.

Embora 65% das crianças em idade de cursar o ensino fundamental tenham recebido educação em 2025, apenas 32% dos adolescentes em idade de cursar o ensino médio estavam matriculados, segundo o Acnur. Apenas 11% estavam matriculados no ensino superior.

“A educação é uma proteção. Também é um caminho para as oportunidades e a autonomia”, ressaltou Barham Salih, ex-presidente iraquiano e alto comissário da ONU para os Refugiados.

“Neste período de forte pressão sobre o financiamento da ajuda humanitária e ao desenvolvimento, os cortes na educação podem reverter décadas de investimentos coletivos e fechar oportunidades para toda uma geração de jovens”, advertiu.

O ex-presidente iraquiano, que também foi refugiado, ressaltou que, ao olhar para a própria vida, a educação lhe deu “oportunidades que o deslocamento” teria “negado de outra forma”. “O deslocamento não deveria determinar os limites da vida de uma criança”, acrescentou.

Na última terça-feira (29), o Acnur alertou que cerca de 8,3 milhões de refugiados e deslocados corriam o risco de perder o acesso a uma ajuda vital devido a cortes drásticos no financiamento.

Os recursos disponíveis da agência caíram de 5,2 bilhões de dólares (R$ 27,2 bilhões) para 3,9 bilhões de dólares (R$ 20,4 bilhões) entre 2024 e 2025, devido à redução das contribuições.

No fim de julho de 2026, o Acnur havia recebido apenas 32% dos 8,5 bilhões de dólares (R$ 44,4 bilhões) necessários para o ano, enquanto o número de pessoas sob seu mandato de proteção permanece em níveis classificados como “historicamente elevados”.

AFP

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado