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Cenário das bolsas de NY ficou bastante desafiador após tarifas, diz CIO da J. Safra Asset

Ele disse ainda que o governo de Donald Trump tem maior dificuldade de fazer uma expansão fiscal do que a vista nos últimos anos

Redação Jornal de Brasília

02/05/2025 22h04

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Uma pessoa caminha perto da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) em Wall Street em 17 de março de 2025 na cidade de Nova York. (Foto de ANGELA WEISS / AFP)

São Paulo, 2 – O cenário para as Bolsas de Nova York ficou bastante desafiador desde o dia 2 de abril, quando o presidente Donald Trump anunciou um pacote robusto de tarifas, na avaliação do CIO da J. Safra Asset, Bruno Carvalho. Segundo ele, o protecionismo mais forte adotado pelos EUA fez com que o excepcionalismo norte-americano fosse colocado em xeque, tendo uma quebra de confiança do mercado que dificilmente será revertida.

Ele disse ainda que o governo de Donald Trump tem maior dificuldade de fazer uma expansão fiscal do que a vista nos últimos anos.

O CIO da J. Safra Asset, assim, considera que haverá um pouco de diversificação nos portfólios globais, com dinheiro saindo dos EUA para ir a outras regiões.

Haverá uma mudança inclusive na alocação entre ações e títulos públicos.

“Com menos crescimento e mais protecionismo, o dinheiro vai sair das bolsas e migrar para bonds. Em um primeiro momento, dado o fiscal, eu tenho preferido alocar em bonds mais curtos, acho que é onde tem um pouco mais de valor, com várias taxas de juros bem acima das taxas neutras”, disse Carvalho, na segunda-feira, 28, durante painel Visão das Gestoras no evento J. Safra Macro Day 2025, em São Paulo.

Em relação às commodities, Carvalho considera que a tendência é de queda no preço. “Mais protecionismo é menos crescimento, menos crescimento – especialmente na China – tende a puxar commodities para baixo”, avalia.

O CIO da Asset, contudo, pondera que a China, diferentemente dos EUA, tem um espaço fiscal importante que pode compensar um eventual impacto no crescimento econômico.

Natural é transferência de alocação de dólar a outras moedas

Bruno Carvalho afirmou ainda que a realocação do portfólio para moedas é mais difícil em um horizonte de hedge funds, que é mais curto, com cota diária e sujeito a volatilidade.

Contudo, avaliou que, em um prazo maior, o natural é a transferência de alocação do dólar para outras moedas, sobretudo de países desenvolvidos.

A tese é respaldada na avaliação do CEO e CIO dos Fundos Macro da Ibiúna Investimentos, Rodrigo Azevedo, de que a incerteza nos Estados Unidos tende a ser maior nos próximos três anos e meio, sob gestão do governo de Donald Trump, e portanto merece um prêmio de risco maior. “Se o mundo ficar sobrealocado nos EUA, haverá, em termos relativos, uma venda de dólar.”

Ele pondera, contudo, que é difícil dizer que o “dólar acabou”, por se tratar de uma moeda forte.

O sócio-diretor e gestor da Kapitalo Investimentos, Carlos Woez, também considera que é difícil fazer um trade no dólar contra o euro ou em moedas de maneira geral.

Estadão Conteúdo

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