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Celac termina sem consenso sobre Venezuela e tem apelo de chavista por libertação de Maduro

O encontro virtual da Celac foi convocado pela Colômbia, presidente de turno da instituição

Redação Jornal de Brasília

04/01/2026 21h30

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Foto: Federico PARRA / AFP

RICARDO DELLA COLETTA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O chanceler da Venezuela, Yvan Gil, pediu aos países que integram a Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) que exijam a imediata libertação do ditador Nicolás Maduro após os ataques americanos contra Caracas, no sábado (3).

A organização, no entanto, está rachada e tem nas suas filas países que apoiam abertamente a ação militar ordenada por Donald Trump, como é o caso da Argentina de Javier Milei. Dessa forma, o encontro deste domingo (4) terminou sem a publicação de um comunicado conjunto -algo já esperado por negociadores, justamente pelas posições divergentes já serem conhecidas.

Gil, que discursou em reunião virtual de emergência da Celac da qual o ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) participou, disse também que a ofensiva militar dos EUA atinge toda a região. “Hoje foi a Venezuela, amanhã pode ser qualquer outro país que decida exercer a sua soberania”.

A fala do venezuelano foi transmitida pela rede Telesur.

O chanceler chavista afirmou ainda que o governo Donald Trump está interessado nos recursos naturais da Venezuela. Ele disse que Maduro foi sequestrado pelos americanos.

“Existe um presidente constitucional, Nicolás Maduro Moros, que, embora hoje se encontre sequestrado, segue sendo chefe de Estado em pleno exercício do seu mandato”, afirmou. “Exigimos a sua libertação imediata e incondicional”.

“É importante que esta comunidade assuma que a Venezuela segue sob ameaça e assédio. É sumamente importante que a Celac exija de maneira imediata o restabelecimento da legalidade internacional, que passa pela retirada imediatada de todas as forças miltiares do Caribe; e que passa por pedir e corroborar pela libertação imediata e incondicional do presidente constitucional da República Bolivariana da Venezuela”, discursou.

De acordo com pessoas com conhecimento do discutido na reunião, o pedido de Gil por apoio dos demais países em defesa da libertação de Maduro não foi posteriormente discutido no encontro, em mais um sinal de baixo endosso à ideia e das divisões internas na Celac.

Na maior intervenção contra a América Latina em décadas, os EUA atacaram a Venezuela no sábado, bombardeando a capital, Caracas, e capturando Maduro e sua esposa.

O ditador e a primeira-dama, Cilia Flores, foram então transportados para Nova York para serem julgados por narcoterrorismo e crimes relacionados ao tráfico de drogas.

O encontro virtual da Celac foi convocado pela Colômbia, presidente de turno da instituição. O presidente Gustavo Petro é crítico da operação americana que resultou na captura de Maduro.

Países da América do Sul que tratam Maduro como chefe do Cartel de los Soles, como Paraguai e Argentina, escalaram representantes de nível hierárquico inferior para acompanhar a videoconferência.

Segundo pessoas com conhecimento das discussões, houve baixa participação de nações caribenhas.

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