A Comissão Européia (CE) vai buscar caminhos para facilitar o investimento privado em energia nuclear dentro de sua estratégia para lutar contra a mudança climática e garantir o fornecimento energético na Europa.
O comissário de Energia da UE, view Andris Piebalgs, destacou hoje na abertura da Assembléia Nuclear Européia (ENA) a importância da energia atômica para enfrentar estes desafios e lembrou que são necessários grandes investimentos para manter a produção em muitos reatores da UE, cuja vida útil expirará nos próximos anos.
Para facilitar a participação das empresas, a CE “está examinando caminhos para solucionar dificuldades na concessão de formas, financiamento e os diferentes regimes de responsabilidade em caso de acidente”, declarou.
Atualmente, 16 dos 27 países da UE dispõem de usinas nucleares que em muitos casos não poderão funcionar além de 2030 sem serem renovadas.
Enquanto alguns Estados, caso da Espanha e Alemanha, decidiram pelo progressivo fechamento das instalações, outros como França, Romênia e Finlândia estão construindo novos reatores.
Ao mesmo tempo, alguns Estados como Holanda, República Tcheca, Polônia e Reino Unido pensam em impulsionar sua potência nuclear com novas usinas.
Para a indústria, isto é uma demonstração do “renascimento da energia nuclear”, que é “fundamental” para responder aos desafios energéticos da UE, como a luta contra a mudança climática e a segurança de abastecimento.
O Fórum Atômico Europeu (Foratom) diz que a preocupação com a mudança climática melhorou em grande medida a percepção social da energia atômica e levou uma maior parcela da população a apoiar seu uso.
Para esta organização, que reúne associações nacionais do setor atômico, é “vital” que sejam tomadas decisões políticas para impulsionar esta fonte que – afirmam – não emite gases do efeito estufa e pode fazer que a Europa reduza sua dependência das importações de combustíveis fósseis.
Piebalgs, que concorda com a existência destas vantagens, disse, no entanto, que é “necessário reforçar a cooperação entre os países da UE em questão de segurança das instalações nucleares”.
Além disso, o comissário destacou a importância de melhorar a “transparência” da indústria nuclear e de impulsionar o debate para que nos casos nos quais se opte por ela, haja um apoio tanto político como cidadão.