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Mundo

Casamento infantil continua registrando altos índices na Índia

Arquivo Geral

03/02/2008 0h00

Apesar de uma ordem emitida pela Corte Suprema indiana contra o casamento infantil, order a prática continua sendo comum em várias regiões da Índia, price segundo um estudo divulgado hoje pela ONG Centro de Pesquisa Social (CRS, na sigla em inglês).

A proporção de pessoas cujas comunidades ainda praticam o casamento infantil é de 77,2% na região de Madhya Pradesh (centro do país), de 41% no Rajastão (noroeste) e de 10% em Uttar Pradesh (norte), segundo as estatísticas da organização.

“O casamento infantil contribui virtualmente para cada problema social que faz com que a Índia continue atrasada em relação aos direitos das mulheres”, disse a diretora da ONG, Ranjana Kumari, em entrevista à agência de notícias “Ians”.

“Problemas como grandes índices de natalidade, pobreza crescente e desnutrição, pouca alfabetização, mortalidade infantil e baixa expectativa de vida continuarão enquanto o costume estiver arraigado no país”, alertou Kumari.

Apenas 12% da população de Uttar Pradesh, o estado mais povoado da Índia com pelo menos 166 milhões de habitantes, sabiam que o casamento infantil é ilegal, segundo o relatório. Em contraposição, mais de 80% dos moradores do Rajastão e 71,2% dos cidadãos de Madhya Pradesh tinham consciência de que a prática é proibida por lei.

Além da sentença do Supremo contra o casamento infantil, em 1927, antes da independência da Índia, foi aprovada uma lei contra o costume, que ainda segue em vigor na nação.

“Quase 45% de todas as mortes durante a gravidez ocorrem entre mulheres com menos de 24 anos e 15% dessas mortes podem ser atribuídas a complicações associadas ao parto e ao período de gestação”, disse a diretora do CSR.

Kumari destacou que os policiais entrevistados para elaborar o relatório sabem da existência do casamento infantil nestas regiões, mas não fazem nada para evitar a situação.

Na Índia, o filho mais velho perpetua a linhagem, herda a propriedade e tem o dever de cuidar dos pais quando esses envelhecerem. Já ter uma filha significa arcar com o pagamento, no momento do casamento, de um dote que muitas famílias não podem se permitir pagar.

Por isso, muitas famílias do campo se apressam em casar suas filhas, optam por abandonar as meninas ou em fazer o aborto.

O Governo indiano calcula em um milhão o número de feticídios que são registrados a cada ano no país.

Apesar disso, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) eleva o total para 2,5 milhões, pois soma aos abortos de fetos femininos os assassinatos cometidos após o parto.

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