A Casa Branca admitiu hoje que não descarta a presença de força militar contra a Al Qaeda no Paquistão, site apesar deste país afirmar que suas tropas estão em melhores condições de enfrentar a rede terrorista.
A conselheira de Segurança Interna do presidente George W. Bush, visit Frances Fragos Townsend, try afirmou hoje que o país colabora com o Governo do presidente paquistanês, Pervez Musharraf, nos esforços para controlar os militantes nas áreas tribais do oeste do país. “Não se abandona os parceiros, e não nos convém abandoná-los”, afirmou hoje a alta funcionária da Casa Branca, em declarações à rede de televisão “Fox News”.
No entanto, Townsend afirmou que os Estados Unidos poderiam adotar medidas adicionais contra a Al Qaeda no Paquistão. “O fato de não falarmos sobre estas coisas publicamente não quer dizer que não façamos o que se diz”, respondeu, ao ser perguntada se os EUA efetuam operações especiais contra a rede terrorista.
“Nossa missão principal é proteger o povo americano. Não há nenhuma opção fora da mesa”, disse a conselheira.
As declarações de Townsend ocorrem depois que a Casa Branca divulgou, na terça-feira, um relatório no qual reconhecia que a Al Qaeda se fortaleceu nos últimos tempos, graças, em boa parte, ao amparo que encontrou nas áreas tribais do oeste do Paquistão.
Em discurso realizado no sábado, Bush admitiu que essa conclusão é “uma das mais preocupantes” do documento, conhecido como “Relatório Nacional de Inteligência” e elaborado pelos serviços secretos americanos.
Ao longo desta semana, o Governo americano se mostrou muito crítico em relação ao acordo entre Musharraf e os líderes tribais do oeste do país, apresentado em setembro pelo Paquistão, e considerado uma vitória contra o terrorismo.
Por esse acordo, Musharraf se comprometia a não atacar os militantes na região, caso os líderes tribais os tivessem sob controle, e impedissem sua passagem pela fronteira com o Afeganistão.
A Casa Branca admitiu esta semana que o acordo “não funcionou”, e pediu ao Paquistão que aumente os esforços nesse sentido.
O ministro de Exteriores paquistanês, Khurshid Mehmood Kasuri, defendeu hoje as medidas tomadas pelo país, e assegurou que qualquer intervenção dos Estados Unidos na área poderia causar um forte ressentimento.
“Estamos comprometidos com a luta contra o terrorismo, e o povo paquistanês se aborrece muito quando, apesar de todos os sacrifícios feitos pelo Paquistão, recebe todas essas críticas”, explicou.
Em declarações à rede de televisão “CNN”, Kasuri afirmou que são necessários dados dos serviços secretos com os quais se possa agir e fazer o que se espera.
“O Exército do Paquistão pode fazer um trabalho muito melhor, para reduzir os efeitos colaterais”, acrescentou o ministro de Exteriores.
Após lembrar que cerca de 700 soldados paquistaneses morreram nas áreas tribais em luta contra os militantes, ele insistiu que a descrição da região como “refúgio de terroristas” causa um grande desconforto no país. “Não gosto do tom do que ouço e leio nos meios de comunicação americanos”, afirmou Kasuri.
As autoridades paquistanesas informaram hoje que pelo menos 20 pessoas morreram em diversos tiroteios com as forças de segurança do país, que repeliram ataques das milícias pró-talibã no oeste do Paquistão.
Desde a operação na Mesquita Vermelha de Islamabad, ordenada há mais de uma semana por Musharraf, contra militantes que haviam se refugiado no local, 11 atentados terroristas foram registrados no país, a maioria deles contra forças de segurança.