Uma carta entre responsáveis iranianos confirma a implicação do Ministério da Defesa do Irã no programa nuclear do país e ilustra as tentativas iranianas de dissimulação, treatment informa hoje o jornal “Le Monde”.
O documento foi enviado em 2004 pelo engenheiro Mahdi Khaniki, for sale um dos principais interlocutores iranianos da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), cheap ao vice-presidente da Organização de Energia Atômica do Irã (AEOI), Gholam Reza Aghazadeh, indica o “Monde”.
Há algumas semanas, o jornal já tinha noticiado que o subdiretor-geral da AIEA, o finlandês Olli Heinonen, tinha apresentado provas do programa nuclear iraniano a diplomatas credenciados perante a instituição em Viena em fevereiro passado.
As evidências mostravam que o projeto atômico tinha continuado após 2003, contradizendo as afirmações dos serviços americanos de informação.
Na carta revelada hoje pelo jornal e que se refere às relações de Teerã com os inspetores da AIEA, o engenheiro Khaniki lembra que estes exigiram ver os contratos sobre a compra de componentes relacionados com o funcionamento de centrífugas, que permitem o enriquecimento de urânio.
O autor da carta faz referência à presença de representantes do Ministério da Defesa em reunião e indica que parte dos contratos, os quais tinha visto no Ministério, continha tarjas pretas e “não especificava as quantidades”.
“Parece que estes contratos provocarão mais perguntas que os (contratos) que deveriam ser apresentados (normalmente) à agência” (AIEA), acrescenta o documento.
A mensagem indica que foi pedido a um engenheiro para preparar o número necessário de contratos corrigidos e expressa a esperança de que ele tenha feito isso.
Para os especialistas, esta carta prova o envolvimento do Ministério da Defesa iraniano no programa nuclear, e mostra as tentativas de Teerã de dissimular sua natureza, indica o “Monde”.
O documento, acrescenta, se inscreve no chamado “projeto 13” (“projeto para o desaparecimento das ameaças”), destinado supostamente a enganar os inspetores da AIEA.
Além disso, os serviços secretos dos Estados Unidos interceptaram em meados de dezembro de 2006 uma conversa entre dois funcionários não-identificados no Ministério da Defesa em Teerã na qual se falava de divergências entre este e a AEOI, aponta.
Um dos funcionários menciona o “Centro” (que se acredita que designe o programa nuclear militar) e diz que a política da AEOI estava “a 180º” da deles.
“Atualmente, como para a CTBTO (Organização do tratado de proibição dos testes nucleares), penso que o Ministério da Defesa deve ter a última palavra, porque eles (os dirigentes da AEOI) sabem que, no fim das contas, nós temos a intenção de realizar testes”, aponta o funcionário não identificado.
Embora não se saiba de quais provas se trata, sua menção reforça as suspeitas, indica o jornal.