O candidato à Presidência de Belarus Yaroslav Romanchuk expressou nesta quinta-feira seu temor de que os cerca de 20 líderes opositores presos em Minsk sejam condenados a vários anos de prisão por instigar os protestos ocorridos após as eleições.
“Há fundamentos para que os detidos nos centros da KGB sejam condenados a vários anos de prisão”, declarou Romanchuk à Agência Efe em entrevista concedida por telefone de Minsk.
Romanchuk, um dos dois únicos candidatos que não foi preso após a fracassada tentativa de invasão da sede do Governo em Minsk no domingo passado, considera que tudo dependerá da “vontade política” do presidente, Aleksandr Lukashenko.
“É uma questão de interpretação legal. Pode ser aberto um processo penal ou não”, disse Romachuk, que se reuniu na segunda-feira com Lukashenko para pedir a libertação dos opositores detidos.
O candidato criticou o Ocidente, mais especificamente a União Europeia (UE) e países como a vizinha Polônia, por “crerem mais uma vez nas promessas de mudança de Lukashenko”.
“Veremos se o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial se negam agora a conceder novos créditos à Belarus”, disse Romanchuk, que recebeu menos de 2% dos votos nas eleições presidenciais de domingo.
Segundo informa a organização de direitos humanos Viasna, sete candidatos e outros 15 opositores, jornalistas e ativistas podem pegar penas de vários anos de prisão por participar dos violentos protestos ocorridos após a votação.
Cinco desses opositores estão incomunicáveis no centro de detenção do Comitê de Segurança Estatal (KGB) bielo-russo, enquanto Grigori Kostusev e Dmitri Uss foram soltos na segunda-feira após serem interrogados durante horas.
Já o veterano opositor Anatoli Lebedko, líder do Partido Cívico Unificado, entrou em greve de fome para protestar contra sua prisão.
A Justiça bielorrussa informou que abriu processos penais com base no artigo 293 do código penal (organização de distúrbios em massa), acusação que pode implicar em penas de até 15 anos de prisão.
A chefe da diplomacia da UE, Catherine Ashton, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, emitiram nesta quinta-feira um comunicado conjunto no qual condenaram a repressão da oposição bielorrussa, exigiram a libertação imediata dos candidatos e ameaçaram revisar as relações com Minsk.