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Mundo

Campo analisa ampliar trégua com Governo argentino após mudança de ministro

Arquivo Geral

26/04/2008 0h00

O setor agropecuário analisa a possibilidade de estender a trégua de 30 dias mantida com o Governo argentino, symptoms depois do novo ministro da Economia, here Carlos Fernández, ter assumido, indicaram hoje fontes do campo.

De qualquer forma, os dirigentes agropecuários sujeitaram essa possibilidade à apresentação de “sinais claros” do Executivo em relação às exigências do setor que recentemente protagonizaram uma greve de 21 dias em rejeição ao aumento tributário nas exportações de grãos, estabelecido pelo Governo.

“Se houvesse uma opinião muito clara do ministro da Economia, poderia haver uma prorrogação de uma semana ou dez dias, não mais que isso. Estamos avaliando essa possibilidade”, admitiu hoje o presidente da Confederação de Associações Rurais de Buenos Aires e de La Pampa (Carbap), Pedro Apaolaza, em declarações via rádio.

As quatro maiores associações do campo analisarão esta possibilidade nos próximos dias, antes da sexta-feira 2 de maio, quando acaba a trégua de 30 dias estabelecida pelo setor depois da greve e os protestos em estradas realizados em numerosas cidades do país, em repúdio ao aumento de tarifas para a exportação de soja e girassol e às regulamentações governamentais.

De todo modo, fontes do setor agropecuário declararam à Agência Efe que “são baixas” as possibilidades de extensão do prazo, já que “as bases não estão dispostas a esperar mais tempo”.

Além disso, consideraram que “as medidas estão acima dos nomes. Além da mudança de um ministro, é preciso analisar as políticas que são implementadas em resposta às exigências do campo”.

Entretanto, a imprensa local informou hoje que o Governo de Cristina Kirchener analisa também a possibilidade de “corrigir” o esquema de retenções móveis anunciado no dia 11 de março, que provocou o protesto do campo.

“Esta revisão seria um sinal muito bom para o setor, mas as expectativas não aparentam ser muito boas. Precisamos de uma posição coerente do Governo, e uma voz uníssona”, enfatizou Apaolaza.

Este esquema foi idealizado durante a gestão do então ministro da Economia da Argentina, Martín Lousteau, que na noite de quinta-feira apresentou sua renúncia ao cargo, acatado por Cristina que designou em seu lugar Carlos Fernández.

As associações agropecuárias disseram nesta sexta-feira que a mudança do titular de Economia cria certa esperança em destravar as negociações realizadas com o Governo, mas expressaram sua “preocupação” pelo “tom de confronto” de certos setores oficiais, especialmente o do ex-presidente Néstor Kirchner, marido da chefe de Estado.

O titular da Federação Agrária da província de Entre Ríos, Alfredo de Angeli, declarou hoje que “quando o ex-presidente fala, a situação se agrava porque o povo do campo dá muita bronca”, o que aumenta as possibilidades de que na próxima sexta-feira “voltem” à greve e aos protestos.

No entanto, Hugo Moyano, o líder da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), a maior central sindical do país, advertiu hoje que nas estradas “passarão todos ou não passa ninguém” já que os caminhoneiros “não suportarão mais serem feitos de reféns”, como segundo ele aconteceu durante os bloqueios de estradas foram realizados por produtores rurais no marco do protesto.

De todo modo, a presença nesta sexta-feira dos dirigentes das principais entidades do campo quando Carlos Fernández assumiu o posto foi avaliada pelo Governo como um gesto de aproximação, segundo indicaram fontes oficiais.

Porta-vozes do setor agropecuário anteciparam que na próxima segunda-feira pediriam uma reunião com o novo ministro da Economia para avançar nas negociações.

Mas o chefe do Gabinete argentino, Alberto Fernández, esclareceu nesta sexta-feira que o Governo de Cristina, com quatro meses e meio de gestão, “compartilha” a intenção das medidas tomadas por Lousteau, porque levam a “uma melhor distribuição de renda”.

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