A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou, na madrugada desta quinta-feira (9), uma reforma na lei de proteção às geleiras andinas, com o objetivo de promover investimentos em mineração. A iniciativa do governo é rejeitada por cientistas e ambientalistas, que alertam para os riscos aos recursos hídricos do país.
O projeto passou por 137 votos a favor, 111 contra e três abstenções. A lei entrará em vigor assim que for publicada no Boletim Oficial, após o Senado ter dado seu consentimento em fevereiro. O presidente ultraliberal Javier Milei tem impulsionado a reforma, afirmando que ela corrige uma paralisia de 15 anos na economia argentina causada pela legislação anterior.
Críticos argumentam que as mudanças enfraquecem a proteção das geleiras, enquanto mineradoras e governadores de províncias com projetos extrativos defendem que a medida impulsionará investimentos e posicionará o país como fornecedor-chave de cobre e lítio, metais essenciais à transição energética.
Do lado de fora do Congresso, grupos ambientalistas e políticos protestaram contra o projeto, resultando em confrontos com a polícia. Um manifestante destacou que os deputados devem representar os interesses do povo, e não das grandes mineradoras, alertando para as consequências futuras pela escassez de água.
A lei original, sancionada em 2010, proíbe a exploração de minério e outras indústrias em geleiras e áreas adjacentes, estabelecendo orçamentos mínimos para sua proteção como reservas hídricas estratégicas.