A calma voltou nesta sexta-feira à Tunísia após o anúncio na noite anterior da formação de um novo Governo de transição, do qual sairá a maioria dos ministros do regime anterior, embora Mohamed Ghannouchi se mantenha como primeiro-ministro, segundo constatou a Agência Efe.
No entanto, os manifestantes procedentes das regiões mais pobres do interior do país ainda mantêm seu protesto na frente do escritório do primeiro-ministro na capital, pedindo sua renúncia.
Mais de mil de pessoas, que estão há dias acampadas perante a sede do Governo, manifestaram sua alegria após conhecer que a maioria dos ministros do presidente deposto Ben Ali deixariam seus postos, entre eles os de Interior, Exteriores, Defesa e Finanças.
Mas ao mesmo tempo asseguraram que não abandonarão seu protesto até que Ghannouchi, primeiro-ministro com Ben Ali durante os últimos 11 anos, saia do Executivo.
“Fora Ghannouchi, que era o chefe do bando”, “Governo limpo em honra a nossos mártires”, gritavam esta manhã os manifestantes, procedentes das regiões mais empobrecidas como Sidi Buzid e Kaserin, onde começou a revolta social e onde a repressão dos protestos foi especialmente dura.
No centro de Túnis, no entanto, as manifestações que nos últimos dias não deixaram de acontecer e impediam recuperar certa normalidade não se repetiram esta manhã.
A maioria das lojas e cafés abriram e a cidade recupera pela primeira vez em semanas seu ritmo habitual.
“Ghannouchi deve ficar, outro que viesse poderia ser pior, o vigiaremos até as eleições e depois teremos um Governo democrático”, disse à Agência Efe Suheila, uma estudante universitária, que como grande parte dos tunisianos prefere “dar um tempo ao país para se recuperar e assimilar tudo o que aconteceu”.
Em outras regiões do país como Sidi Buzid e Gafsa, uma aparente tranquilidade reinava também hoje, e os protestos de dias anteriores tinham acabado, disseram à Agência Efe fontes sindicais e moradores dessas regiões.