Bush realiza uma entrevista coletiva com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, com quem se reuniu hoje no Palácio do Eliseu para debater assuntos como o programa nuclear iraniano, o Afeganistão, o Oriente Médio e mudança climática.
O presidente americano fez também uma advertência à Síria para que se afaste das atividades nucleares iranianas e deixe de apoiar no Líbano o grupo xiita pró-iraniano Hisbolá.
“Diria para (a Síria) deixar de se relacionar com os iranianos e de acolher terroristas e que deixe claro a seus aliados iranianos que devem abandonar suas atividades nucleares”, afirmou Bush.
Já Sarkozy reiterou que o programa nuclear iraniano é “um grande problema” e declarou que a Síria deve “se distanciar” das tentativas de Teerã de conseguir armamento nuclear.
“Se o Irã conseguir uma bomba nuclear, seria totalmente inaceitável”, ressaltou o presidente francês.
As declarações de Bush e Sarkozy foram feitas depois que o Governo iraniano afirmou hoje que não tem a intenção de suspender seu enriquecimento de urânio, após chegar a Teerã o alto representante para Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE), Javier Solana.
Ele levou ao Irã uma proposta de incentivos em troca da renúncia às atividades atômicas.
“A aparente rejeição iraniana é uma indicação de que seus líderes planejam isolar ainda mais seu país”, disse o presidente dos EUA.
Nas últimas escalas de sua viagem pela Europa, Bush disse que prefere a opção diplomática para conseguir que o Irã abandone suas atividades nucleares, mas advertiu de que “todas as opções estão sobre a mesa”, em uma alusão a uma possível intervenção militar.
Bush também pediu aos aliados europeus para aumentar sua ajuda ao Afeganistão, onde, na sexta-feira à noite, um comando talibã atacou a prisão de Kandahar e libertou centenas de rebeldes presos.
A França, que adverte de que a solução pode não ser só militar, deve enviar 700 soldados adicionais aos mais de 1.400 que já tem na força da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) desdobrada no Afeganistão.
Os presidentes, que também falaram sobre mudança climática e Rodada de Desenvolvimento de Doha, analisaram a situação no Oriente Médio e Bush reiterou sua convicção de que ainda é possível chegar a um acordo de paz entre israelenses e palestinos antes do fim de seu mandato, em janeiro.
“Agora é o momento de conseguir um acordo”, afirmou o presidente americano, que mencionou, entre outros pontos de divergência, Jerusalém e os assentamentos israelenses.
“Os palestinos estão desalentados com a continuidade dos assentamentos, uma razão para estabelecer as fronteiras de um Estado” palestino que possa viver em paz e liberdade com seu vizinho, acrescentou.
Além disso, Bush elogiou a primeira-dama francesa, Carla Bruni, e disse que, após ter jantado com ambos sexta à noite no Palácio do Eliseu, é possível “entender porque você (Sarkozy) se casou com ela”.