O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, foi fortemente criticado pelos partidos da oposição, que o acusam de ter se tornado “invisível” desde o início da polêmica devido à libertação do líbio responsável pelo maior massacre terrorista do Reino Unido.
A ausência do político trabalhista, que está de férias na Escócia, chegou ao ponto de ele não felicitar publicamente a equipe inglesa após a vitória sobre a Austrália em um torneio de críquete tradicional entre os dois países.
Hoje, Brown se limitou a comentar por um porta-voz que a medida do ministro da Justiça escocês, Kenny MacAskill, de libertar por motivos humanitários o líbio Abdelbaset Ali al-Megrahi – condenado em 2001 à prisão perpétua pelo atentado de Lockerbie (Escócia), em 1988, com 270 mortos – foi “uma decisão difícil”.
O porta-voz insistiu em que foi uma decisão autônoma do Governo nacionalista escocês de Alex Salmond, de acordo com as leis escocesas, e negou que a libertação vá incentivar o terrorismo.
O fato de que Brown pareça ter se fechado em seu “bunker” dá munição aos críticos que o acusam de “desaparecer” quando as coisas ficam difíceis.
“Agora, quando a atenção do mundo está centrada na libertação de um assassino em massa, sofremos a humilhação de ser governados por um homem invisível”, disse o responsável “tory” de defesa, Liam Fox.
O líder liberal-democrata, Nick Clegg, qualificou hoje de “absurdo e prejudicial” o silêncio do chefe de Governo sobre a libertação de Megrahi.
Os parentes das vítimas americanas no atentado contra o avião da Pan Am que explodiu no ar quando sobrevoava a localidade escocesa de Lockerbie estão furiosos com a libertação, e o Governo de Washington, assim como vários membros do Senado, mostraram também sua insatisfação.
Em uma duríssima carta, o diretor do FBI (Polícia federal americana), Robert Mueller, que era promotor quando se investigou o atentado, qualificou a libertação de “violação à justiça” e “grave erro” que alegrará os terroristas de todo o mundo.
Enquanto isso, foi criado um site – boycottscotland.com – no qual se pede que todos os americanos boicotem tanto a Escócia quanto o Reino Unido todo devido à libertação do terrorista, não viajando para essas ilhas nem comprando seus produtos.