O presidente da França, purchase Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro do Reino Unido, George Brown, se comprometem em carta conjunta publicada hoje a redobrar seus esforços para resolver a situação na região sudanesa de Darfur, que consideraram “inaceitável”, e conseguir um cessar-fogo definitivo.
Na carta, publicada pelos jornais “The Times” e “Le Monde”, os dois dirigentes lembram que o conflito de Darfur já deixou 2 milhões de refugiados, e o número continua crescendo. Outros 4 milhões de pessoas dependem de ajuda humanitária.
Em Darfur “continuam os combates, com bombardeios aéreos, atos de banditismo e escaramuças entre grupos que crescem num ambiente sem lei e totalmente carente de segurança”, acrescentam.
Nos próximos dias, a secretária de Estado de Relações Exteriores e Direitos Humanos francesas, Rama Yade, e o chefe do Foreign Office britânico, Mark Malloch-Brown, visitarão o Sudão, inclusive com uma passagem por Darfur.
Sarkozy e Brown pedem que “todas as partes deponham as armas, respeitem um cessar-fogo e cessem imediatamente o bombardeio aéreo de civis”.
“Apoiaremos os esforços para acelerar os preparativos para o envio da força da União Africana e das Nações Unidas (Unamid), autorizada pela resolução 769 da ONU, a fim de que esteja operacional até o fim do ano”, prometem.
O presidente francês e o primeiro-ministro britânico reconhecem porém que só o cessar-fogo “não vai resolver um conflito tão complexo”. Para eles, “é preciso encontrar uma solução política, que leve em conta os problemas que estão na raiz da violência e permita a participação de Darfur nas eleições nacionais de 2009”.
Eles advertem, no entanto, que se houver progressos em “segurança, cessar-fogo, processo político e acesso humanitário”, trabalharão juntos para ampliar as sanções contra quem não cumprir os seus compromissos.
Brown e Sarkozy destacam ao mesmo tempo que é preciso ajudar na reconstrução econômica da região e permitir que os refugiados retornem a suas aldeias e reconstruam suas vidas.
“Quando houver progresso político, colaboraremos com as partes para enfrentar as necessidades de desenvolvimento de longo prazo do Sudão”, afirmam.
Eles acrescentam que é preciso “olhar além de Darfur” e prestar atenção em assuntos que afetam o Sudão e a toda a região. Centenas de milhares de pessoas que fugiram do conflito, lembram, vivem em campos de refugiados junto a outras pessoas deslocadas pelos distúrbios internos.
Após apontar que as causas do conflito têm “raízes profundas” e são ao mesmo tempo “econômicas, ambientais e políticas”, os dirigentes reconhecem que “nem a Grã-Bretanha nem a França nem o povo sudanês poderão conseguir sozinhos” o sucesso na tarefa de paz.