Faltando apenas uma semana para o 10º aniversário da morte da Princesa Diana, sales os britânicos lembram sua princesa favorita, que abalou os sólidos alicerces da monarquia do Reino Unido. Na madrugada de 31 de agosto de 1997, um túnel situado junto a uma Ponte em Paris se transformou no pilar de uma tragédia que comoveria o Reino Unido.
O Mercedes no qual viajavam em alta velocidade Lady Di – ex-mulher do príncipe Charles da Inglaterra – e seu namorado Dodi al-Fayed colidiu contra uma coluna do túnel, enquanto eles tentavam escapar do assédio dos paparazzi.
Na batida, além de Diana, morreram o motorista francês Henri Paul e o filho de Mohamed al-Fayed. Apenas o guarda-costas da princesa sobreviveu ao acidente. A tragédia não deixou órfãos apenas os príncipes William e Harry, mas abalou milhões de britânicos que se viram sem sua princesa e lotaram a entrada do Palácio de Kensington com toneladas flores, bichos de pelúcia e cartões com mensagens de carinho a Diana e frases de repúdio à família real.
Se os britânicos, tradicionalmente comedidos, derramaram lágrimas após o episódio, a monarquia do Reino Unido se manteve impassível e nem teve o bom senso de interromper as férias em Balmoral, na Escócia. Elizabeth II e seu marido, o príncipe Philip, se fecharam em um silêncio frio e indiferente e nem ao menos hastearam a bandeira a meio mastro.
As primeiras páginas dos jornais britânicos exigiam que a família real demonstrasse respeito a Diana. E não só isso. As pesquisas de opinião refletiam a decepção da população com Elizabeth II, com percentuais alarmantes pedindo a abolição da monarquia.
Foi um ano difícil para a realeza. A rainha, após vários escândalos familiares, com o divórcio de três filhos (os príncipes Charles, Andrew e Anne), se viu da noite para o dia na corda bamba, enfrentando um dos piores momentos desde a abdicação do rei Eduardo VIII, em 1936.
Na crise sem precedentes, foi fundamental o papel adotado pelo então primeiro-ministro: um recém-chegado Tony Blair, disposto a modernizar o país e, ao mesmo tempo, a evitar o descrédito da monarquia. O chefe do Executivo não hesitou em interromper as férias para retornar imediatamente a Londres, onde fez um dos discursos mais lembrados em homenagem a Diana, batizando-a de “princesa do povo”, epíteto que ainda persiste.
Apesar de com reservas, Elizabeth II soube consertar a tempo uma situação que piorava a cada momento. Desta forma, com uma visível mudança de atitude, a rainha fez um discurso ao vivo em cadeia de televisão, admitindo que havia “lições a aprender” de Lady Di.
Hoje, dez anos depois da morte de Diana, é possível notar diferenças na imagem pública da família real: Camila, a rival e, mais tarde, sucessora da princesa junto ao herdeiro do trono, tão odiada pelos britânicos enquanto Lady Di vivia, foi parcialmente aceita pelos cidadãos e não se descarta a possibilidade de um dia chegar a ser rainha.
Mesmo morta, Diana não tem preço como produto de marketing. Hoje em dia, os souvenirs com sua imagem continuam sendo os mais vendidos e as revistas continuam a perseguição aos seus filhos, William e Harry, que ajudam a dar mais frescor à instituição.
Os shows de rock organizados para comemorar o 80º aniversário de Elizabeth II no Palácio de Buckingham, em 2002, e o organizado este ano em homenagem a Diana, que bateu recordes de audiência nas televisões, foram outras duas provas da modernização e da humanização que a princesa levou à família real.
No entanto, apesar de duas investigações oficiais terem concluído que sua morte foi um trágico acidente, jornais continuam especulando incansavelmente sobre a possibilidade de ter sido assassinato. Mas pode ser apenas outro truque da mídia para manter viva a memória de Lady Di.