A crise hídrica global e seus impactos sobre populações vulneráveis estiveram no centro dos debates do Fórum de Alto Nível de Dakar, no Senegal, realizado entre 26 e 27 de janeiro. O evento reuniu governos e organismos internacionais para discutir respostas concretas à escassez de água, como parte da agenda preparatória para a Conferência das Nações Unidas sobre a Água de 2026, marcada para dezembro nos Emirados Árabes Unidos.
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) integrou a delegação brasileira, ao lado de representantes da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e do Ministério das Cidades, com apoio da Embaixada do Brasil em Dakar. As discussões focaram na transformação de compromissos políticos em ações efetivas para segurança hídrica, acesso à água potável e saneamento, especialmente para populações vulneráveis.
No Brasil, eventos extremos relacionados à água, como secas inéditas na Amazônia e no Pantanal, escassez em bacias do Sudeste e Nordeste e enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, destacam os desafios para o cumprimento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6 (ODS 6), agravados pelas mudanças climáticas.
O país defendeu a implementação de soluções concretas, como os Planos de Aceleração de Soluções (PAS) lançados na COP 30, articulando governos, instituições multilaterais, setor privado e sociedade civil. O secretário-executivo adjunto do MIDR, Tito Queiroz, representou o Brasil em sessões sobre água e processos multilaterais e na reunião ministerial de alto nível, enfatizando a urgência de projetos que melhorem a vida das pessoas e destacando o Programa Água Doce como exemplo replicável.
A diretora da ANA, Cristiane Batiston, participou de debates sobre justiça hídrica, inovação, uso de dados e financiamento, afirmando o engajamento brasileiro em inovação e compartilhamento de boas práticas na gestão de recursos hídricos.
A delegação realizou reuniões bilaterais com entidades como SIWI, Wetlands, INBO, ACQUA, OCDE e países como Alemanha, Finlândia e Emirados Árabes Unidos, visando cooperação técnica e intercâmbio de experiências.
O fórum resultou na definição de seis eixos prioritários para orientar os trabalhos até 2026: Água para as Pessoas (Gana e Suíça), Água para a Prosperidade (China e Espanha), Água para o Planeta (Japão e Egito), Água para a Cooperação (Finlândia e Zâmbia), Água e Processos Multilaterais (Alemanha e México) e Financiamento para a Água (África do Sul e França).
Um relatório da Universidade das Nações Unidas (UNU-INWEH) reforça a urgência de ações, apontando uma falência hídrica global com escassez permanente em várias regiões, exigindo novas abordagens de gestão, adaptação e cooperação. Tito Queiroz concluiu que a participação brasileira contribui para transformar compromissos em ações concretas, garantindo segurança hídrica e desenvolvimento sustentável.
Com informações do Governo Federal