RICARDO DELLA COLETTA
FOLHAPRESS
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer se manifestar na reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas para discutir a operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro.
O encontro, solicitado pelas delegações da Venezuela e da Colômbia na ONU, deve ocorrer na segunda (5).
A reunião do principal órgão da ONU foi apoiado por China e Rússia, segundo disseram à Folha pessoas com conhecimento do tema.
A Colômbia, liderada pelo presidente Gustavo Petro, crítico da ação militar americana, é membro não permanente do colegiado.
O Brasil no momento não ocupa um assento no conselho, mas as regras da ONU permitem que estados não membros discursem em reuniões se assim solicitarem. A solicitação é feita à presidência do órgão, atualmente com a Somália, mas depende de uma decisão prévia sobre se o encontro será aberto ou fechado a não membros ou fechado.
Nesse caso, a representação do Brasil nas Nações Unidas poderá apresentar seus argumentos depois de todos os 15 integrantes. O governo Lula não poderá votar em caso de deliberação.
Na maior intervenção contra a América Latina em décadas, os Estados Unidos atacaram a Venezuela neste sábado (3), bombardeando a capital, Caracas, e capturando Maduro e sua esposa.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que Maduro e Cilia Flores estão em um navio militar americano no Caribe, de onde partirão para Nova York para serem julgados por narcoterrorismo e crimes relacionados a tráfico de drogas.
Horas depois, em declaração à imprensa, Trump declarou que vai governar a Venezuela até que ocorra uma transição. Segundo ele, o petróleo venezuelano “voltará a fluir” com petroleiras dos EUA à frente das operações e da infraestrutura do país.
O Conselho de Segurança da ONU é formado pelos cinco membros permamentes (EUA, Reino Unido, França, China e Rússia) e por dez assentos rotativos, com mandatos de dois anos. Além da Colômbia, a composição atual é formada por Bahrein, República Democrática do Congo, Dinamarca, Grécia, Letônia, Libéria, Paquistão, Panamá e Somália.
O presidente Lula repudiou a ação dos EUA e disse que os ataques, com a detenção de Maduro, ultrapassam uma linha “inaceitável”.
“Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo. A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões”, escreveu a conta de Lula no X.