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Brasil levará problema do desequilíbrio do fluxo de capital ao G20

Arquivo Geral

05/11/2009 0h00

O Brasil vai expor na reunião que o Grupo dos Vinte (G20, países ricos e principais emergentes) realizará nos próximos dois dias em Saint Andrew (Escócia) o problema do desequilíbrio do fluxo de capital causado pelos estímulos econômicos aplicados pelos países para frear a crise financeira.

Em declarações à Agência Efe, o ministro de Fazenda, Guido Mantega, confirmou que levará a questão para o encontro com seus colegas do G20.

“Temos agora um desequilíbrio de fluxos de capitais porque estamos vivendo um período pós-crise onde foi criado um volume de liquidez muito grande nos mercados internacionais”, explicou o ministro.

“Os Governos tiveram que pôr muita liquidez, e essa liquidez em dólares não tem oportunidades de rentabilidade. A rentabilidade é muito baixa”, disse Mantega.

“Então, há uma tendência contra os países que estão crescendo mais, que têm bolsas com matérias-primas. É o caso de Brasil, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul…”, lembrou Mantega, que participou em Londres de um seminário sobre oportunidades de investimento no Brasil organizado pelo jornal “Financial Times”.

“Nós estamos com um problema de excesso de valorização da moeda. E outros países têm uma desvalorização que é conveniente para eles, como China ou Estados Unidos, que está com o dólar muito baixo. Isto está criando problemas”, afirmou o ministro.

Mantega lembrou que o Brasil teve que “impor uma tarifa para a entrada de capital estrangeiro para aplicações nas bolsas de valores e em renda fixa. Isso foi para diminuir o apetite, impedir a criação de uma bolha que poderia trazer problemas”.

“Este será um dos temas principais de discussão do G20. Temos que trabalhar em conjunto nas questões cambiais”, apontou o ministro.

“Não queremos prejudicar a indústria manufatureira brasileira, que vai sofrer se houver um desequilíbrio muito grande no valor das moedas”, disse Mantega.

Além desse assunto, Mantega comentou que outro dos “principais temas da agenda” será “a tentativa de reduzir os desequilíbrios entre os países que têm um superávit comercial mais alto, entre os que têm mais reservas e os que têm menos”.

Segundo o ministro, o G20 decidiu em reuniões anteriores que “deveríamos diminuir essas desigualdades. Estamos todos de acordo. Isso significa que a China tem que estimular o consumo interno, ter menos superávit comercial. E o Brasil também”.

Perguntado sobre se é necessário manter os estímulos fiscais iniciados para fazer frente à crise, Mantega respondeu que “é preciso manter os estímulos nos países avançados, porque o crescimento ainda não se consolidou”.

“No Brasil, (o crescimento) já se consolidou e podemos começar a diminuir os estímulos fiscais. E estaremos diminuindo-os no ano que vem”, disse o ministro, que previu um crescimento da economia brasileira de 1,2% em 2009 e de 5% em 2010.

Mantega disse acreditar que, “para os países europeus que ainda estão com taxas negativas (de crescimento), e inclusive para os EUA, é preciso que continuem com os estímulos até que haja uma redução do desemprego e uma consolidação do crescimento”.

Os ministros da área de finanças e responsáveis pelos bancos centrais dos países do G20 se reúnem entre amanhã e sábado em Saint Andrews com a missão de aprofundar as medidas definidas na cúpula de Pittsburgh (EUA) para garantir a recuperação econômica.

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