O Governo brasileiro está disposto a realizar em território nacional a troca de urânio entre o Irã e os demais países, afirmou o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim.
Em declarações à agência de notícias estatal iraniana “Irna”, Amorim explicou que a possibilidade ainda “não foi colocada sobre a mesa, mas caso seja concretizada, estaríamos dispostos a estudá-la”.
O ministro chegou segunda-feira a Teerã para uma visita de dois dias, a princípio destinada unicamente a preparar a próxima viagem ao Irã do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevista para o dia 15 de maio.
No entanto, sua estadia acabou marcada pela queda-de-braço nuclear que o Irã mantém com grande parte da comunidade internacional e a ameaça de novas sanções.
Amorim insistiu que o Brasil defende o direito do Irã a desenvolver e usar energia nuclear, desde que para fins pacíficos, e não é favorável às medidas punitivas.
“Perseguimos a possibilidade de evitar as sanções porque achamos que é uma medida inútil. A única coisa que as sanções conseguem é incomodar o povo, principalmente as classes mais desfavorecidas”, disse.
Grande parte da comunidade internacional, sob liderança dos Estados Unidos, acusa o regime dos aiatolás de ocultar, sob seu programa civil, outro de natureza clandestina e ambições bélicas cujo objetivo seria adquirir um arsenal atômico, alegação que Teerã nega.
A polêmica se agravou no final do ano passado, uma vez que o Irã rejeitou uma oferta dos EUA, do Reino Unido e da Rússia para enviar seu urânio com 3,5% ao exterior e recuperá-lo tempo depois enriquecido até 20%, nas condições que afirma serem necessárias para manter operativo seu reator em Teerã.
O regime iraniano alega que não confia na outra parte e exige uma série de garantias, como o fato de que a troca seja feita em cofres selados, sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em seu território e de forma simultânea.
Perante a falta de acordo, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadienyad, ordenou a cientistas de seu país iniciarem o programa de enriquecimento até 20%, apesar das advertências internacionais.
Desde então, o Governo dos EUA tenta impor novas sanções internacionais, mas até o momento encontrou com a negativa de estados como China e a ambiguidade de outros como o Brasil.
Mesmo assim, algumas fontes indicaram que as medidas punitivas poderiam estar prontas em maio.
O Irã, por sua parte, tenta fazer com que a discussão sobre seu polêmico programa nuclear seja tratada pelos quinze países do Conselho de Segurança da ONU, e que não fique só limitado ao denominado grupo “5+1”, integrado pelos cinco membros permanentes (Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França, mais a Alemanha).
Entre os dez países restantes estão Brasil e Uganda, país que Ahmadinejad visitou na semana passada.