Os Governos da Argentina e do Brasil se comprometeram a trabalhar em soluções duradouras para atender a crescente demanda de energia de ambos países e a, abortion provisoriamente, compartilhar fluxos de energia para fazer frente aos momentos de emergência.
Os compromissos foram incluídos em uma declaração conjunta divulgada hoje pelos Governos da Argentina e do Brasil após as conversas telefônicas que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Hirchner tiveram sobre o tema nos últimos dias.
Os dois países constituíram em fevereiro passado uma comissão de acompanhamento para estudar soluções para os problemas provocados pela eminente falta de energia em ambos os países.
O ministro brasileiro de Minas e Energia, Edison Lobão, anunciou na terça-feira a “decisão política” do Brasil de impulsionar a construção de cinco hidrelétricas em suas fronteiras com a Argentina e Bolívia para produzir em torno de 12.000 megawatts.
A comissão, segundo o documento conjunto, também deverá “trabalhar para a disponibilidade de fluxos energéticos que venham a ser necessários, adicionalmente, em função de condições meteorológicas adversas e de emergências em nossos respectivos países”.
O Brasil já havia manifestado seu compromisso de enviar energia à Argentina quando o país vizinho precisasse.
Tal compromisso foi anunciado depois que os presidentes da Argentina, Brasil e Bolívia, em reunião em Buenos Aires em fevereiro passado, fracassassem em uma tentativa de dividir o gás produzido pela Bolívia, que se prevê insuficiente para atender as demandas dos três países no próximo inverno.
O documento de hoje ressalta que os dois países, como consumidores de gás, “desejam estabelecer mecanismos de troca de energia que respeitem os direitos e as obrigações contratuais”.
Apesar da declaração não se referir a volumes específicos, a Argentina já manifestou seu desejo de adquirir 1.500 megawatts de energia brasileira entre maio e agosto próximo, quando a demanda crescerá pelo aumento do frio.
Esse seria o limite de capacidade que o Brasil pode enviar à Argentina e representa cerca de 2,5% da geração do país.
Algumas autoridades brasileiras, no entanto, já advertiram que a ajuda ao país vizinho dependerá do nível de água nos reservatórios das hidrelétricas do país no momento.
Na declaração conjunta, os Lula e Cristina manifestaram “a importância de aprofundar esforços para maximizar as ações dirigidas a garantir a provisão do gás necessário para que ambos os países garantam seu crescimento econômico atual”.
Nesse sentido reafirmaram sua decisão de analisar semanalmente o fluxo e a troca dos recursos energéticos para programar as provisões que sejam necessários este ano para resolver problemas estacionais.