O juiz boliviano Luis Tapia Pachi, que há seis meses fugiu para o Brasil, onde alegou ser vítima de uma “perseguição” por parte do Governo de Evo Morales, obteve o status de refugiado, segundo uma entrevista publicada nesta segunda-feira pelo jornal “El Deber”.
O juiz disse que o Comitê Nacional de Refugiados (Conare) lhe concedeu na sexta-feira passada o status de refugiado político e assegurou que continuará “defendendo a democracia e o Estado de direito na Bolívia”.
O tribunal de Pachi, localizado na região oriental de Santa Cruz, teve a seu cargo o caso do suposto grupo terrorista que planejava assassinar Morales, desarticulado em abril de 2009 nesse departamento, até que as autoridades determinaram a transferência do processo para La Paz.
O juiz tentou frear a mudança de jurisdição e foi acusado pela autoridades judiciais de “prevaricação e desobediência a procedimentos penais”.
Líderes políticos e empresários de Santa Cruz afirmam que a investigação do caso em La Paz está orientada politicamente para prejudicar a oposição autonomista e reivindicaram que a jurisdição seja a de Santa Cruz, onde o grupo terrorista foi descoberto.
Enquanto isso, as autoridades judiciais de La Paz e o Executivo defendem que o tribunal de Santa Cruz não será imparcial na hora de julgar os líderes dessa região, todos opositores.
Nos últimos dias, uma nova polêmica ligada ao caso veio à tona com a divulgação de um vídeo no qual um suposto funcionário do Governo entrega um suborno a uma das testemunhas consideradas “chave”, cuja declaração permitiu incriminar vários dirigentes opositores.
Segundo Pachi, as autoridades o viam como “um estorvo para os propósitos do Governo de amedrontar Santa Cruz e prender membros da oposição”.
“Queriam que eu fosse um boneco a mais entre os que têm atualmente no Poder Judiciário, que são manipulados como marionetes. Mas eu tenho dignidade”, acrescentou.
Segundo a imprensa, mais de uma centena de opositores e críticos do Governo Morales, entre eles líderes políticos, da sociedade civil e empresários, fugiram da Bolívia nos últimos cinco anos por se considerarem vítimas de uma “perseguição” política.