O Brasil assumiu nesta quinta-feira (9) a presidência da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), durante a 9ª Reunião Ministerial realizada nos dias 8 e 9 de abril no Rio de Janeiro. A aliança reúne 24 países, incluindo Brasil, Argentina e Uruguai, além de 21 nações da costa oeste africana, do Senegal à África do Sul.
A Zopacas, criada em 1986 pela ONU, visa manter a região livre de armas nucleares e de destruição em massa, promovendo a paz e a cooperação. O Brasil, que foi um dos idealizadores do acordo há 40 anos, sucederá Cabo Verde na presidência rotativa por três anos. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, abriu o evento na Escola Naval, na Baía de Guanabara, rejeitando a importação de rivalidades e conflitos externos para a região.
Vieira destacou a preocupação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o atual cenário internacional, marcado pelo maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial, como as guerras na Faixa de Gaza, no Irã, no Líbano e na Ucrânia. Segundo o ministro, essas tensões elevam os preços de energia e alimentos, impactando desproporcionalmente as economias de países pobres e em desenvolvimento.
Entre os objetivos da Zopacas, estão a segurança marítima, com combate ao tráfico de drogas, pirataria e pesca ilegal, além da conservação ambiental. O Brasil pretende aprovar o Santuário de Baleias do Atlântico Sul na próxima reunião da Comissão Internacional da Baleia, ainda este ano.
Ao final do encontro, os países assinarão três documentos: a Convenção para a Proteção do Meio Ambiente Marinho no Atlântico Sul, que estabelece medidas de prevenção, redução e controle de danos ao mar; a Estratégia de Cooperação, subdividida em três áreas e 14 temáticas; e a Declaração do Rio de Janeiro, que reafirma o compromisso com a paz e a segurança na região, sem referências a eventos atuais específicos.
A expectativa é que o presidente Lula participe do encerramento da reunião. A Agência Brasileira de Cooperação (ABC) atuará na promoção de projetos em áreas como redução da pobreza, agricultura familiar e desenvolvimento econômico, sob demanda dos países membros. As informações foram retiradas da Agência Brasil.