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Bolivianos querem beatificar indígena que esculpiu a Virgem de Copacabana

Arquivo Geral

31/08/2007 0h00

A Igreja da Bolívia iniciou esta semana o processo de beatificação do indígena Tito Yupanqui, tadalafil que esculpiu a imagem de Nossa Senhora de Copacabana – um povoado localizado às margens do lago Titicaca – e que pode se tornar o primeiro santo do país.

Yupanqui viveu há mais de 400 anos e talhou uma das virgens mais famosas do mundo, cialis 40mg a de Copacabana. O indígena disse que sua elaboração foi um “calvário” e “uma demonstração de fé”.

A beatificação é o passo anterior à santificação. Caso a campanha tenha resultados positivos, for sale Yupanqui pode se tornar o primeiro homem nascido na Bolívia a chegar à relação de santos católicos.

Os bolivianos têm a beata Sor Nazaria Ignacia, que viveu na Bolívia no início do século XX, mas que nasceu na Espanha. Seus restos mortais estão em Oruro, no país andino.

O reverendo Hans van der Berg, da comissão promotora da beatificação de Yupanqui, apresentou na última quinta o início da campanha, que incluirá uma profunda pesquisa histórica sobre sua vida e uma coleta de assinaturas de fiéis.

Para que a beatificação ocorra é necessário documentar historicamente a vida do candidato, demonstrar que há uma devoção popular por ele e comprovar a veracidade de algum milagre.

Segundo Van der Berg, reitor da Universidade Católica da Bolívia, as principais fontes sobre a vida do eventual “São Tito” são as obras de dois agostinianos datadas em Lima em meados de século XVII.

A mais antiga é a de Alonso Ramos Gavilán, que em 1621 relatou os milagres de Nossa Senhora de Copacabana, além de passagens da vida do escultor.

A segunda foi escrita em 1653, a de Frei Antonio de la Calancha, considerado o primeiro cronista do “Alto Perú”, antigo nome da Bolívia, que reeditou o encontrado na primeira.

A campanha para beatificar Yupanqui começou há meses, quando Jesús Juárez, bispo de El Alto, cidade que faz fronteira com La Paz, apresentou no Vaticano, perante a Congregação para as Causas dos Santos, uma solicitação para “continuar até o final a pesquisa sobre a vida e virtudes” do escultor indígena.

Tanto El Alto como Copacabana estão no planalto andino, a quatro mil metros acima do nível do mar.

Copacabana é uma localidade turística encravada em uma pequena península no Lago Titicaca. O pároco da região, René Vargas, tem uma “sincera fé” de que o indígena já tem o apoio de Deus e agora “falta o veredicto da Igreja”.

O milagre que requer a beatificação é para Vargas, “o que faz Maria de Copacabana, uma imagem a qual são atribuídos milagres, sinais da graça de Deus, por isto pode se considerar que a obra dele é um dos maiores presentes para a evangelização do povo”.

Segundo Vargas, “as virtudes, o empenho e a fé” de Yupanqui, o tornam uma pessoa “representativa da igreja daquela época e que merece ser reconhecida como artista e dentro da própria instituição como um santo”.

A vida de Yupanqui é um exemplo de “perseverança na fé e devoção”, declarou Van der Berg. Em meados do século XVI, a fundação de uma confraria chegou a ser cogitada, mas o povo estava dividido entre os que desejavam consagrar a Virgem de Candelária e os que queriam a consagração de São Sebastião.

Tito Yupanqui esculpiu em barro uma imagem de Nossa Senhora que foi desprezada pelo sacerdote que chegou a Copacabana. Magoado, ele foi para Potosí, onde aprendeu a esculpir e a talhar madeira com o mestre Diego Ortiz.

Após talhar sua imagem a partir de uma Virgem de Candelaria – mas com traços indígenas – ele voltou a Copacabana e conseguiu realizar seu sonho de colocá-la no maior altar da capela de seu povoado.

Conta a lenda que Yupanqui deixou em Potosí uma cópia fiel à original, que foi adquirida por um comerciante português que trabalhava entre essa cidade – mais povoada que Paris na época – e o Rio de Janeiro. Assim, a Nossa Senhora de Yupanqui acabou dando nome à praia de Copacabana.

Em todo 6 de agosto, os bolivianos que moravam na cidade e os cariocas comemoram o dia de Nossa Senhora, com festas folclóricas, bandas de música e procissões.

Pouco se sabe da vida do talhador após seu retorno a Copacabana, nem onde e quando morreu. Porém, Van der Berg acredita que está comprovado que ele recebeu uma pensão vitalícia dos agostinianos, por causa de sua precária situação econômica.

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