Um dia depois das eleições, a Bolívia segue sem conhecer dado oficial algum sobre o resultado da votação, enquanto o presidente Evo Morales, proclamado vencedor segundo as enquetes, começou hoje a delinear as prioridades de seu próximo mandato.
A Corte Nacional Eleitoral (CNE) teve que adiar para amanhã a divulgação de seus primeiros relatórios sobre a apuração, devido a um problema técnico no processo de digitalização das atas de votação, segundo informaram à Agência Efe fontes do organismo.
Segundo todas as pesquisas de boca-de-urna divulgadas pela imprensa local, Morales foi reeleito no pleito de domingo com um apoio superior a 60%. Já o próprio presidente boliviano acredita que esse índice chegará a 67% quando a apuração for concluída.
A proclamação da vitória de Morales, reconhecida também por seus opositores, foi feita, até o momento, somente a partir dessas pesquisas, o que é uma prática habitual nos processos eleitorais e referendos bolivianos.
A CNE aplicou no pleito de domingo um novo método para recopilação e digitalização das atas, que, a princípio, possibilitaria a divulgação de 80% da apuração oficial em 48 horas depois das eleições.
Embora a fase de recopilação tenha funcionado perfeitamente, em várias cortes eleitorais departamentais foram registrados problemas na digitalização de documentos, que ajuda, além disso, a somar os votos de maneira informatizada.
Enquanto isso, Morales começou a trabalhar hoje no que serão as prioridades de seu próximo mandato, com uma reunião nas imediações do lago Titicaca junto a seu “Gabinete ampliado”, ou seja, seus ministros, vice-ministros e diretores de empresas estatais.
Antes desta reunião governamental, o presidente declarado reeleito ofereceu em La Paz sua primeira entrevista coletiva depois das eleições, na qual assegurou que não tem interesse em se candidatar a uma segunda reeleição em 2015, quando terminar seu próximo mandato, apesar de ter lembrado que a nova Constituição do país permitiria isso.
“No meu caso, nunca pensei na reeleição”, disse. “Não é interesse de Morales, nunca tinha pensado nisso”, insistiu o presidente, em terceira pessoa sobre si mesmo.
Também aproveitou para negar que ainda exista polarização política na Bolívia, como foi alegado por Manfred Reyes Villa, seu principal rival nas eleições e que obteve entre 23% e 25% dos votos, segundo as pesquisas.
“Quando diz (que) há uma polarização, infelizmente ele pensa nele e na direita e não no povo boliviano”, disse o líder, que sugeriu que talvez o opositor esteja pensando em desestabilizar seu Governo.
Entre os fatores de sua vitória, Morales disse que “uma das vantagens que tivemos nestas eleições foi que a direita não soube escolher suas autoridades (líderes)”.
No dia da “ressaca eleitoral” na Bolívia, os Governos e a imprensa de América Latina, Estados Unidos e Europa parabenizaram Morales por sua vitória no pleito, que garante a ele um novo mandato, desta vez com maioria na próxima Assembleia Legislativa.
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, comemorou hoje o “grande júbilo” no continente americano após a vitória “arrasadora” de Morales. A imprensa de Cuba, outro dos países cujo Governo é aliado do presidente da Bolívia, destacou seu folgado triunfo e a participação “em massa” dos bolivianos.
Os EUA também asseguraram desejar trabalhar com Morales e seu Governo para seguir avançando no diálogo bilateral iniciado entre os dois países em maio.
“Felicitamos o presidente Evo Morales por sua reeleição e os bolivianos e suas instituições eleitorais por terem realizado um processo pacífico e ordenado no domingo”, disse hoje o porta-voz do Departamento de Estado, Ian Kelly, em comunicado.