Jaime Villanueva, coordenador do Programa Nacional de Mudanças Climáticas, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Águas daquele país, explicou hoje que a proposta boliviana que será apresentada na próxima cúpula sobre Mudança Climática com o título de “Salvemos o planeta do capitalismo” e inclui quatro temas.
O objetivo é obter dos países desenvolvidos, “que provocaram este problema”, um “ressarcimento e compensação” pelos danos causados.
Disse ainda que a “dívida climática” cobrada pela Bolívia também quer o cumprimento dos compromissos vinculativos de redução de emissão de gases do efeito estufa assumidos há quase duas décadas pelos países desenvolvidos.
Lembrou que um estudo do Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC) refletiu que, em 2007, as emissões aumentaram 11,2% em vez de diminuir 5,2%, como havia sido fixado em 1990.
“Ou seja, que os países não cumpriram com seus compromissos e seguem fazendo uma ameaça a este problema mundial que compromete nossa própria existência”, disse.
A proposta boliviana ratifica a exigência que as Nações Unidas reconheçam os direitos da “Madre Tierra”, “que está ferida pelo uso excessivo dos recursos naturais e os combustíveis fósseis”, explicou o funcionário.
Acrescentou que a bandeira boliviana diante da convenção será a participação dos povos indígenas nas decisões e na formulação de políticas para diminuir o problema.
Um quarto ponto se refere à necessidade de transferência de tecnologia e recursos financeiros aos países em desenvolvimento que apóiem as medidas de adaptação e como forma de minimizar os efeitos da mudança climática.
“Ainda existe uma esperança, uma solução para o problema. Desde que os países desenvolvidos tomem a liderança e façam compromissos vinculativos que possam solucionar o problema”, concluiu.
Villanueva expôs a proposta na apresentação do relatório Estado da População Mundial 2009, elaborado pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, na sigla em inglês), que destaca a situação das mulheres e dos povos vulneráveis por causa da mudança climática.
Lembrou que na Bolívia há seis regiões com problemas de seca e houve perda de 35% das geleiras do país como consequências negativas para a segurança alimentar.
O representante na Bolívia do UNFPA, o espanhol Jaime Nadal-Roig, ressaltou que as mudanças introduzidas no país para aplicar um desenvolvimento amigável com o meio ambiente “mais do que apropriadas, são necessárias”.
Segundo ele, o relatório destacou a importância da mulher como agente de mudança na atual conjuntura.
“A mulher produz entre 60% e 80% dos alimentos nos países em desenvolvimento e cumpre as tarefas do lar. A mudança climática está dificultando o cumprimento adequado dessas funções. O maior peso, de certa forma, recai sobre elas”, apontou.
Por isso, uma das principais propostas do relatório é que qualquer solução em temas de adaptação à mudança climática envolva as mulheres.