Parlamentares dos departamentos bolivianos do Beni e de Pando vão apresentar ao Bolívia levará a Parlamento Amazônico seu desacordo com represas do Brasil uma queixa contra a construção das hidrelétricas do Rio Madeira que Furna pretende construir perto da fronteira.
A deputada Marisol Abán, visit do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR, de direita), alega que as obras provocarão inundações em 530 quilômetros quadrados da região de fronteira. O projeto prevê a construção das represas de Santo Antônio e Jirau sobre o Rio Madeira, que faz limite entre os dois países. As duas hidroelétricas poderiam gerar 6.450 megawatts, equivalentes a quase 8% da demanda nacional.
Na semana passada, o Governo da Bolívia solicitou ao Brasil uma reunião entre ministros dos dois países para analisar os possíveis danos das obras ao meio ambiente em território boliviano. Em resposta, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, propôs ao colega boliviano, David Choquehuanca, que equipes dos dois países se reúnam no final do mês para discutir o tema.
O Ibama estendeu para início de julho a licença ambiental para as obras. Na carta enviada a Choquehuanca, o Itamaraty ressalta que as hidrelétricas são um projeto “de fundamental importância para atender às necessidades energéticas brasileiras” e que a decisão de construí-las foi tomada “com base em completos e análises fundamentadas dos seus impactos econômicos, sociais e ambientais”.
O Parlamento Amazônico, fundado em 1989, é formado pelos congressos nacionais de Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. Segundo a deputada Abán, também será pedido o comparecimento do embaixador do Brasil na Bolívia, Frederico Cezar de Arauco, como “convidado”, para explicar detalhes do projeto ao Parlamento Amazônico.
O Senado da Bolívia, dominado pela oposição, convocará o Choquehuanca para ser sabatinado sobre o “excessivo atraso e negligência” ao lidar com o assunto. O senador Roger Pinto, do opositor Poder Democrático e Social (Podemos), disse que a exigência de Choquehuanca ao Brasil foi “péssima e excessivamente tardia”, já que o país já anunciara há um ano e meio a decisão de construir as represas.