Ainda na manhã desta segunda-feira, o Congresso Nacional deve começar a debater os artigos da lei, assim que a comissão negociadora, integrada por legisladores governistas, opositores e membros do Governo do presidente Evo Morales, apresentar um texto pactuado.
Ontem, o grupo de negociados trabalhou ininterruptamente durante quase 20 horas na modificação do projeto de lei, necessário para a realização de eleições presidenciais em 6 de dezembro, nas quais Morales tentará se reeleger.
Se o texto pactuado for aprovado hoje, o presidente da Bolívia abandonará a greve de fome que mantém há cinco dias para pressionar o Congresso Nacional a aprovar novas regras eleitorais.
O caminho para um acordo foi aberto pela Corte Nacional Eleitoral (CNE), que disse ter condições de elaborar um censo eleitoral moderno, informatizado e capaz de evitar fraudes, a principal preocupação dos opositores.
Foi o próprio Morales que, do meio de sua greve de fome, propôs a elaboração de um censo eleitoral biométrico para solucionar a disputa com a oposição.
Hoje, o presidente do Senado, o opositor Óscar Ortiz, avaliou como positivo o anúncio de um censo “para minimizar o risco de fraudes”, segundo o canal “ATB”.
“Um novo censo é uma reivindicação justa, que está fundamentada na necessidade de superarmos toda a desconfiança que há no atual, de caminharmos em direção a eleições limpas e de devolver ao cidadão a tranquilidade de que seu voto será respeitado”, declarou Ortiz.
Para elaborar o novo censo, que custará US$ 35 milhões, a CNE precisa que os referendos autonomistas de Chuquisaca, La Paz, Oruro, Potosí e Cochabamba sejam adiados para o mês de julho.
Quanto à possibilidade de a lei eleitoral ser aprovada nesta segunda-feira, o presidente do Senado defendeu que as partes tenham todo o “tempo necessário” para que o texto da lei seja totalmente pactuado.
Já o senador da aliança conservadora Podemos, Luis Vázquez, destacou que há um alto grau de avanço em temas centrais e que o esforço de negociação das forças parlamentares “pode trazer um processo de unidade e de paz” no país.
Félix Rojas, deputado do governista Movimento ao Socialismo (MAS), também disse que os acordos da comissão negociadora avançam numa única direção.