O ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia, order Carlos Villegas, disse hoje que a reunião desta segunda-feira com seu colega chileno, Marcelo Tokman, é “meramente informativa” e que nela escutará e avaliará eventuais propostas de investimento no setor.
O porta-voz do Governo chileno, Ricardo Lagos Weber, afirmou na quinta-feira passada, em Santiago, que a visita de Tokman a La Paz servirá para discutir diretamente com seu colega da Bolívia “se há como trabalhar de maneira conjunta” na exploração de hidrocarbonetos nesse país.
Villegas ressaltou hoje que não sabia qual é a proposta concreta do Chile, e se negou a especular sobre o assunto, embora tenha enfatizado que a agenda de diálogo está “aberta”, e que a reunião seguramente abordará a crise energética de alguns países da América do Sul.
O Chile é um deles, já que compra 90% da energia que consome, e atualmente sofre com os cortes do fornecimento de gás vindo da Argentina.
As relações entre Bolívia e Chile são muito tensas em função da Guerra do Pacífico, no final do século XIX, quando os bolivianos perderam seu acesso ao oceano.
Por isso, Villegas insistiu em que um eventual investimento do Chile em hidrocarbonetos é um assunto “de alta sensibilidade” e que deve ser tratado “com cautela e maturidade”.
Além disso, lembrou que o tema energético não estava na agenda de diálogo de treze pontos “sem exclusões”, acordada no ano passado entre os presidentes da Bolívia, Evo Morales, e do Chile, Michelle Bachelet.
O principal objetivo da visita do ministro chileno é “criar as iniciativas necessárias para estimular a confiança recíproca” entre os dois Governos, especificou Villegas.
Além disso, indicou que não vai tomar decisões sobre novos investimentos no setor, porque a Bolívia já tem o que precisa para o abastecimento interno e para cumprir seus compromissos de exportação. “A política de hidrocarbonetos da Bolívia não está submissa ao Chile”, assegurou.
Morales admitiu recentemente que não descarta a possibilidade de vender gás ao Chile, embora também tenha dito que em seu gabinete há divergências sobre qual seria a melhor forma de colocar o projeto em prática.
Em um referendo realizado em 2004, a população boliviana se mostrou a favor da fórmula “gás por mar”, ao sujeitar o fornecimento de gás ao país vizinho a uma solução para a histórica reivindicação de recuperar o acesso ao Oceano Pacífico.