O porta-voz da Presidência da Bolívia, Ivan Canelas, desqualificou hoje as últimas resoluções da Sociedade Interamericana da Imprensa (SIP) e assegurou que o organismo “não tem moral para falar de liberdade de expressão nos países da América Latina”.
“A SIP aparece sempre em lugares onde há processos eleitorais e deixa praticamente sem nenhum cuidado a afirmação dos empresários liberais dos veículos de comunicação”, afirmou Canelas em declarações à imprensa.
Ontem, a SIP reivindicou que o presidente da Bolívia, Evo Morales, e as demais autoridades do país “abstenham-se de insultar e agredir verbalmente” jornalistas e veículos de comunicação, entre outros pontos de uma resolução aprovada em sua assembleia de Buenos Aires.
O porta-voz presidencial disse que o Governo boliviano rejeita essas declarações “de discurso duplo” e questionou por que a SIP “não disse absolutamente nada em defesa desses jornalistas que viveram momentos de guerra” na cobertura da crise de Honduras.
Ainda ontem, ao falar sobre a resolução da SIP, Morales negou que haja ataques à liberdade de expressão na Bolívia e pediu à entidade para que “eduque” alguns jornalistas para que a respeitem.
A Assembleia da SIP reunida em Buenos Aires aprovou resoluções especiais por ataques, fustigações e medidas que, segundo a organização, atentam contra a liberdade de expressão e a imprensa de Argentina, Bolívia, Brasil, Cuba, Equador, Honduras e Venezuela.
No último final de semana, a SIP também analisou um relatório muito crítico em relação ao papel do Governo de Evo Morales, o qual acusa de não reconhecer recomendações da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) em matéria de liberdade de imprensa.
De acordo com o relatório, entre março e outubro deste ano, houve 112 casos de agressões físicas e verbais a jornalistas e 36 ataques a veículos de comunicação na Bolívia.