O ministro da Saúde de Cuba, José Ángel Portal Miranda, alertou que o sistema de saúde do país está à beira do colapso devido ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos ao fornecimento de petróleo à ilha.
Em entrevista à agência Associated Press, Portal Miranda afirmou que as sanções, em vigor desde janeiro, vão além de impactos econômicos e ameaçam a segurança humana básica. “Não se pode prejudicar a economia de um Estado sem afetar os seus habitantes”, disse o ministro, acrescentando que a situação pode colocar vidas em risco.
De acordo com o ministro, cerca de cinco milhões de pessoas com doenças crônicas em Cuba enfrentam risco de escassez de medicamentos ou adiamento de tratamentos. Isso inclui radioterapia para 16 mil pacientes oncológicos e quimioterapia para outros 12,4 mil. Serviços como cardiologia, ortopedia, oncologia e atendimento a pacientes em estado crítico, que dependem de energia elétrica de reserva, estão entre os mais afetados.
Tratamentos para doenças renais e serviços de ambulância de emergência também sofrem com a falta de combustível. O sistema de saúde cubano, universal e gratuito, com clínicas locais em quase todos os quarteirões e medicamentos subsidiados pelo Estado, já enfrenta crise nos últimos anos, agravada pela pandemia de covid-19. Milhares de médicos emigraram, e a escassez de remédios levou pacientes a recorrer ao mercado paralelo.
O governo cubano tenta mitigar os efeitos instalando painéis solares em clínicas e priorizando atendimento a crianças e idosos. No entanto, restrições a tecnologias que consomem mais energia, como tomografias computadorizadas e exames laboratoriais, obrigam os médicos a usar métodos mais básicos, privando muitos pacientes de cuidados de alta qualidade.
“Estamos diante de um cerco energético com implicações diretas para a vida dos cubanos, para a vida das famílias cubanas”, lamentou o ministro. A ilha, situada a apenas 150 quilômetros da costa da Flórida, passa por uma crise humanitária com falta generalizada de alimentos e energia elétrica, afetando o funcionamento dos hospitais.
O bloqueio energético foi imposto pelos Estados Unidos em janeiro, após o presidente Donald Trump suspender o envio de petróleo venezuelano para Cuba e ameaçar tarifas a países que vendam combustível a Havana.