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Mundo

Bloqueio dos EUA ameaça colapso do sistema de saúde de Cuba

Ministro da Saúde alerta que sanções ao petróleo colocam em risco tratamentos para milhões de pacientes com doenças crônicas

Redação Jornal de Brasília

21/02/2026 16h17

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Foto: ROQUE / AFP

O ministro da Saúde de Cuba, José Ángel Portal Miranda, alertou que o sistema de saúde do país está à beira do colapso devido ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos ao fornecimento de petróleo à ilha.

Em entrevista à agência Associated Press, Portal Miranda afirmou que as sanções, em vigor desde janeiro, vão além de impactos econômicos e ameaçam a segurança humana básica. “Não se pode prejudicar a economia de um Estado sem afetar os seus habitantes”, disse o ministro, acrescentando que a situação pode colocar vidas em risco.

De acordo com o ministro, cerca de cinco milhões de pessoas com doenças crônicas em Cuba enfrentam risco de escassez de medicamentos ou adiamento de tratamentos. Isso inclui radioterapia para 16 mil pacientes oncológicos e quimioterapia para outros 12,4 mil. Serviços como cardiologia, ortopedia, oncologia e atendimento a pacientes em estado crítico, que dependem de energia elétrica de reserva, estão entre os mais afetados.

Tratamentos para doenças renais e serviços de ambulância de emergência também sofrem com a falta de combustível. O sistema de saúde cubano, universal e gratuito, com clínicas locais em quase todos os quarteirões e medicamentos subsidiados pelo Estado, já enfrenta crise nos últimos anos, agravada pela pandemia de covid-19. Milhares de médicos emigraram, e a escassez de remédios levou pacientes a recorrer ao mercado paralelo.

O governo cubano tenta mitigar os efeitos instalando painéis solares em clínicas e priorizando atendimento a crianças e idosos. No entanto, restrições a tecnologias que consomem mais energia, como tomografias computadorizadas e exames laboratoriais, obrigam os médicos a usar métodos mais básicos, privando muitos pacientes de cuidados de alta qualidade.

“Estamos diante de um cerco energético com implicações diretas para a vida dos cubanos, para a vida das famílias cubanas”, lamentou o ministro. A ilha, situada a apenas 150 quilômetros da costa da Flórida, passa por uma crise humanitária com falta generalizada de alimentos e energia elétrica, afetando o funcionamento dos hospitais.

O bloqueio energético foi imposto pelos Estados Unidos em janeiro, após o presidente Donald Trump suspender o envio de petróleo venezuelano para Cuba e ameaçar tarifas a países que vendam combustível a Havana.

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