O enviado especial do Quarteto para o Oriente Médio, website like this Tony Blair, generic alertou hoje que a “atual estratégia” na Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas, está fortalecendo os radicais islamitas.
“Se aprendemos algo nos últimos meses é que a atual estratégia em Gaza não está funcionando”, disse Blair, em reunião com o grupo de trabalho sobre o Oriente Médio do Parlamento Europeu.
O ex-premiê britânico afirmou que a atual situação causa sofrimento tanto à população palestina bloqueada em Gaza quanto aos cidadãos israelenses que sofrem com o lançamento de foguetes das milícias do Hamas, mas criticou particularmente a política de bloqueio de Israel ao território.
Assim, considerou urgente “chegar a uma situação na qual seja possível um fluxo substancial de bens e recursos para e a partir de Gaza, supervisionado pela própria Autoridade Nacional Palestina (ANP) em coordenação com a comunidade internacional, e na qual se alivie a curto prazo a situação humanitária da população”.
“Precisamos de uma estratégia que isole os extremistas e ajude as pessoas. Até o momento, se não tivermos cuidado, estaremos fazendo o contrário: isolando as pessoas e ajudando os extremistas. E isso não é inteligente”, advertiu.
Na etapa de perguntas, vários eurodeputados defenderam especificamente o fim do isolamento internacional do Hamas, pois tal conduta “não produziu nenhum benefício”.
Blair descartou essa idéia, argumentando que tal ponto de vista não leva em conta “os parâmetros da realidade”. Para ele, o movimento islamita tem a responsabilidade de mudar sua situação.
“O Hamas pode sair (da Faixa de Gaza) a qualquer hora, dizer que aceita a existência do Estado de Israel e participar do processo de paz de maneira não violenta”, afirmou o ex-primeiro-ministro.
O ministro de Assuntos Exteriores norueguês, Jonas Gahr Store, e o secretário de Estado francês para Assuntos Europeus, Jean-Pierre Jouyet, também presentes no debate, foram mais longe e perguntaram abertamente se isolar o Hamas após sua vitória nas eleições palestinas de janeiro de 2006 não foi um “erro”.
Blair, encarregado pelos membros do Quarteto de Madri – Estados Unidos, União Européia, Rússia e ONU – de impulsionar as negociações de paz palestino-israelenses, lamentou que o acordado na Conferência de Annapolis (EUA) não seja viável no momento.
Para o ex-primeiro-ministro, “se as coisas continuarem como estão, não haverá aumento de capacidade da ANP em matéria de segurança, nem um alívio da ocupação (israelense). A negociação será muito difícil; as pessoas verão que há uma separação entre a realidade e o que os políticos dizem”.
“É preciso mudar o contexto, a realidade no terreno que envolve a negociação”, insistiu o enviado especial.
Blair mostrou sua esperança de que a visita do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, a Israel em maio e a próxima conferência em Berlim – na qual devem ser aprovados programas internacionais para melhorar os recursos policiais e judiciais palestinos – contribuam para melhorar a situação.